Os funcionários da empresa de ônibus do transporte coletivo de Curitiba, Orlando Bertoldi, também conhecida como Auto Viação Mercês, realizam uma paralisação na manhã desta quarta-feira (14), que afeta principalmente os veículos que atendem os bairros Santa Felicidade e São Braz. Nenhum ônibus saiu da empresa para cumprir as linhas previstas.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Ricardo Sales, há atraso no pagamento do salário dos funcionários e também nos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
“É uma empresa que já vem com problema há muitos anos, FGTS com bastante atraso, agora problema no pagamento de dezembro e nesse pagamento de janeiro; os funcionários já não aguentam mais. O Sindicato já fez os acionamentos necessários para que os valores sejam pagos através do consórcio, mas até o momento isso não aconteceu e os funcionários acharam por direito, com razão, parar hoje até que o pagamento caia na conta. Temos pessoas com aluguel atrasado, pensão atrasada e não tem como chegar e pedir ‘posso pagar só 20% da minha fatura?”.
Segundo a Urbanização de Curitiba (Urbs), a empresa é responsável pela operação de 11 linhas exclusivas e 8 linhas compartilhadas, que estão sendo absorvidas por outras empresas do transporte coletivo, com o objetivo de reduzir o impacto para os usuários.
A Auto Viação Mercês informou, por meio de nota, que pretende pagar os salários dos funcionários ainda na manhã desta quarta-feira (14).
Becker, motorista da empresa, afirma que além dos atrasos, existe o problema de falta de manutenção nos veículos.
“Estamos há alguns meses pedindo pela manutenção e na incerteza de receber o salário. Os atrasos começaram efetivamente em dezembro e agora o sindicato veio até aqui para iniciar a paralisação junto com os funcionários. Em janeiro, estamos com 60% do salário atrasado, a direção disse que pagaria 20% hoje, que ainda não caiu”.
Uma usuária do sistema de transporte coletivo conta que teve atraso para chegar no trabalho.
“Eu pego no Capão Raso e no Mercês e aqui, no Mercês, cerca de meia hora de atraso para chegar no trabalho, ninguém avisou nada e fomos pegos de surpresa”.
A Urbs também informou que os pagamentos devidos para a empresa estão em dia e ressaltou que a paralisação precisaria ter sido informada com 72 horas de antecedência. Confira a nota:
“A empresa Mercês integra um consórcio juntamente com o Transporte Coletivo Glória e a Auto Viação Santo Antônio. As linhas operadas pela Mercês estão sendo absorvidas pelo próprio consórcio, com remanejamento de frota e equipes.
A URBS esclarece ainda que todos os pagamentos devidos às empresas de transporte coletivo estão rigorosamente em dia, conforme os contratos vigentes com os consórcios operadores, não havendo qualquer pendência financeira por parte do Município.
Por fim, a URBS reforça que a relação trabalhista é de responsabilidade exclusiva das empresas operadoras em relação aos seus empregados, não cabendo ao poder público ingerência sobre esse vínculo“.
A Auto Viação Mercês alegou que a falta de pagamento dos funcionários está relacionada a problemas de processamentos bancários.
“Em razão de intercorrências pontuais no processamento bancário, houve um impacto temporário no cronograma da folha salarial de nossos colaboradores. Ainda que a situação não esteja relacionada à falta de recursos financeiros, compreendemos plenamente a angústia e a preocupação geradas, o que acabou refletindo na interrupção das atividades por parte de motoristas e cobradores na data de hoje. A empresa informa que uma parte significativa dos salários já foi processada e que a regularização integral da folha está prevista para ocorrer ainda na manhã de hoje, por meio do Consórcio, conforme os ajustes que estão sendo finalizados neste momento“.
O Setransp (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana) informou que mediou as reuniões e alertou sobre a necessidade de alerta da paralisação com 72 horas de antecedência.
Apesar dos alertas feitos pelo Setransp quanto às consequências de uma eventual paralisação – especialmente o impacto direto para os passageiros – e da ênfase na necessidade de cumprimento das exigências legais, como o aviso prévio de 72 horas e a manutenção de um percentual mínimo de operação, o impasse não foi superado, resultando no movimento paredista deflagrado nesta quarta-feira.
É importante destacar que a situação da Auto Viação Mercês é isolada e não representa o cenário do transporte coletivo de Curitiba como um todo, que segue operando normalmente, com regularidade e qualidade.