
O presidente do Athletico, Mário Celso Petraglia, voltou a afirmar que o clube, a Prefeitura de Curitiba e o governo estadual estão próximos de um acerto para o pagamento dos R$ 346,2 milhões, relativos à conclusão das obras da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014. De acordo com ele, o clube está apenas pedindo o que foi acordado.
“Está muito próximo. Temos conversado com o prefeito, com o governador. Houve um problema de valores e o assunto ficou muito polêmico no Brasil, porque as grandes empreiteiras tomaram conta de todos os estádios. Nós fomos a exceção, a OAS seria a empresa e não permitimos”, analisou, em entrevista à rede CATVE.
“Veio o escândalo, a Lava Jato, e os preços subiram. Pedimos antecipação de provas, foi feita uma perícia da Fundação Getúlio Vargas e eles trabalharam por três anos, vendo as notas fiscais, e concluíram que foi o metro quadrado mais barato do Brasil. E foi um valor apresentado pela PcW, que o estado contratou para acompanhar tudo”, prosseguiu.
De acordo com o mandatário rubro-negro, tanto governo quanto prefeitura deram “um cheque em branco” para a Fifa, que passou a exigir uma série de mudanças que não estavam no projeto inicial, o que encareceu toda a obra. Petraglia afirmou ainda que as decisões judiciais mais recentes comprovam a lisura do Furacão no caso.
“O Athletico não foi incompetente, não houve sobrepreço. Eles não acreditaram quando viram os números, aqui não foi roubado. A Arena custou um quinto do estádio de Brasília e um terço da Neo Química Arena, do Corinthians, com a mesma capacidade, mas sem escada rolante mármore, esses enfeites. Fundamentados na verdade, estamos próximos do acordo”, opinou.
Com base da recente decisão do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), as três partes devem chegar a um acordo e pagar, em partes iguais, pela obra no Joaquim Américo – o que significaria um montante de R$ 115,3 milhões para cada um.
“Nós temos de nos tornar uma SAF”
Na mesma entrevista, Petraglia voltou a falar sobre os planos do Furacão em se tornar uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF) em um futuro não muito distante. Ele declarou que um banco internacional, cujo nome é mantido em sigilo pelo cartola, está ajudando na prospecção de um parceiro estratégico. Ou seja, não basta ter recursos, é preciso alinhamento em outras áreas.
“A SAF é fundamental porque a cultura, a legislação, o que somos, o que vem da era Vargas, da primeira era do século passado, isso acabou, faliu (…). Temos 20 clubes Série A e B, não tem mais sentido o modelo jurídico das associações. Os clubes têm de ter donos, a gente quer ter lucro ou quer vitória? As duas coisas, ninguém terá lucro sem vitórias. Elas caminham juntas, é só olhar o Athletico, tidos superávits e temos vencidos, de 2018 para cá ganhamos sete títulos”, ponderou.
O presidente athleticano não soube dizer quanto vale hoje o clube, embora comentou que o número que o Furacão vale “tem mais do que nove zeros”, jogando o dado na casa dos bilhões. Para que o plano de ser um dos maiores clubes do mundo seja alcançado, é preciso se tornar uma SAF, completou ele.
“A dificuldade é saber quanto valerá um clube daqui a quatro, cinco anos, estamos fazendo uma avaliação, o que fazer com esse dinheiro, queremos ser o maior clube de formação de atletas do mundo, queremos formar e vender, mas é difícil dentro de um contexto em que não há um passado (para se basear). Valemos um quarto da Liga Francesa, não podemos valer infinitamente menos do que eles, que tem um time e que foi comprado pelos árabes, que estava jogado em Paris e agora levaram Neymar e o Messi. Mas nós, para que sejamos campeões do mundo, para que o Athletico esteja entre os maiores do mundo e da América do Sul, nós temos que pensar no futuro. Nós temos de nos tornar uma SAF”, finalizou.
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