A mãe do jogador Daniel Corrêa Freitas, Eliana Corrêa, não estará no Tribunal do Júri para acompanhar a sentença dos réus acusados pela morte do filho. Bastante abalada e com voo marcado, ela deixou o Fórum de São José dos Pinhais, no fim da manhã desta quarta-feira (20), com destino a Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais.

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Eliana deixando o Fórum acompanha do assistente de acusação Nilton Ribeiro (Foto: Antonio Nascimento – Banda B)

A expectativa é que a sentença seja proferida ainda hoje, após os sete jurados definirem se os réus são culpados, ou não, pelo crime ocorrido em outubro de 2018.

O assistente de acusação, advogado Nilton Ribeiro, acompanhou Eliana na saída do Fórum. Ele explicou para a imprensa que a mãe de Daniel voltaria para casa e não iria acompanhar os momentos finais do julgamento.

“Agradecemos a imprensa paranaense que tão carinhosamente acolheu ela que é de Minas Gerais, acolheu uma mãe. Em nome da família a gente agradece […] Ela não quer falar, já falou o que tinha para falar”, disse Ribeiro.

“Não tenho desejo de vingança”

Na última segunda-feira (18), Eliana conversou com os jornalistas e afirmou que não tem desejo de vingança, mas que esperava a condenação dos sete envolvidos.  Ela revelou que a filha do jogador, de apenas 7 anos, ainda não sabe que o pai foi assassinado.

“Eu espero a condenação de cada um pelos crimes que fizeram. Não que eu tenha desejo de vingança, porque eu não lembro nem da cara de cada um. O sentimento é de angústia, mas eu confio na justiça de Deus e dos homens também. Tenho certeza que cada um vai ter aquilo que merece. O Daniel adorava viver, tinha uma loucura pela vida, pela família, pelo futebol, e arrancaram dele isso, de mim e da filha”, afirmou a mãe.

Julgamento

O júri dos sete réus envolvidos na morte do jogador Daniel Corrêa Freitas entrou no terceiro dia nesta quarta-feira. A sessão começou, pouco depois das 9h da manhã, com a fase final dos debates com réplica da acusação e depois a tréplica da defesa, cada uma com o período de 1 hora para fala.

Finalizados os debates, é feita a votação secreta pelos sete jurados. Conforme a decisão dos jurados, o juiz redige a sentença e elabora a dosimetria, que é a duração da pena.

Réus

Dentre os sete acusados, dois estão presos. Edison Brittes Junior é réu confesso e responde por homicídio, qualificado pelo motivo torpe, pelo emprego de tortura ou cruel, e pelo recurso que impossibilitou a defesa da vítima, ocultação de cadáver e fraude processual. Eduardo Henrique da Silva responde pelos mesmos crimes. Ele chegou a ganhar o direito de responder ao processo em liberdade em 2019, mas voltou para a prisão em 2020 após participação em outro crime, um roubo ocorrido em Foz do Iguaçu.

Outros três réus respondem por homicídio qualificado, mas estão em liberdade: Ygor King, David Willian Vollero Silva e Cristiana Brittes. A última chegou a ter a acusação de homicídio negada em primeiro grau, decisão que foi revertida pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR).

Allana Brittes, jovem que completava aniversário e realizou a festa onde Daniel foi morto, responde por fraude processual e coação no curso do processo. Já Evellyn Brisola Perusso foi denunciada por fraude processual. Ela também chegou a ser presa novamente durante o processo, por tráfico de drogas.

O crime

Com passagens pelo São Paulo e Coritiba, Daniel Corrêa Freitas veio a Curitiba para participar da festa de aniversário de 18 anos da amiga Allana Brittes, filha de Edison Brittes Junior, em uma casa noturna de Curitiba, em 26 de outubro de 2018. Após a balada, o jogador aceitou o convite para esticar a comemoração na casa da Família Brittes, junto de outras dez pessoas, em São José dos Pinhais.

Segundo a Polícia Civil, o conflito com Edison teria sido motivado por fotos e áudios enviados por Daniel em um grupo de amigos no WhatsApp. Nas mensagens, o jogador se vangloriava por estar na cama deitado ao lado de Cristiana Brittes, esposa do dono da casa.

Conforme as investigados, após saber das mensagens, o empresário deu início ao espancamento de Daniel e teve a ajuda de outros convidados da festa. O jogador só sairia da casa dentro do porta-malas de um carro. Foram 11 quilômetros de distância até a plantação de pinus, na Colônia Mergulhão, região rural de SJP, onde o corpo foi encontrado por um morador na manhã de 27 de outubro de 2018.

Conforme os laudos da Polícia Científica, Daniel foi parcialmente decapitado e teve o pênis decepado.

A investigação afirma ainda que, dois dias depois do crime, Edison se encontrou com os outros seis envolvidos em um shopping para combinar a versão que seria dada à polícia. A história não convenceu e o empresário acabou confessando o assassinato e sendo preso na mesma semana.

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Bastante abalada, mãe de Daniel não estará no Tribunal do Júri para acompanhar a sentença

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