A Justiça de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, determinou que Adair José Lago, marido acusado pela morte de Franciele Gusso Rigoni, passe por exames de insanidade mental. O pedido da defesa, acatado pelo juízo nesta terça-feira (12), foi feito cerca de uma semana após a primeira audiência do caso. Na decisão, a juíza Carolina Gabriele Spinardi Pinto também autorizou a transferência de Adair para o Complexo Médico Penal, onde o exame deve ser realizado.

Franciele foi encontrada morta na noite de 31 de maio de 2023, dentro de um carro estacionado em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Segundo a polícia, Franciele foi assassinada na própria casa e transportada até o local onde o corpo estava. O crime, segundo as investigações, teria acontecido dentro de um condomínio de alto padrão localizado em Pinhais.
O chamado ‘incidente de insanidade’ consiste em procedimento específico para verificação da saúde mental do réu. Ele é instaurado sempre que há dúvidas sobre a saúde mental do acusado e também para verificar se, à época dos atos, ele era ou não inimputável. Ou seja, se tem ou não condições de responder pelo crime cometido.
Adair responde na Justiça pelos crimes homicídio qualificado, mediante promessa de recompensa, traição e recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima, além do feminicídio.
Procurada pela Banda B, a defesa de Adair informou que o pedido foi feito após perícia pela defesa.
“As avaliações conduzidas pelo Médico Psiquiatra Forense Hewdy Lobo e pela Psicóloga Jurídica Elise Karam Trindade foram fundamentais, integrando consultas presenciais e telepresenciais, análises detalhadas de múltiplos aspectos da vida do Sr. Adair José e depoimentos de fontes colaterais confiáveis. Os resultados revelaram possíveis diagnósticos de Transtornos Mentais, Humor e de Personalidade, destacando a seriedade do quadro clínico do acusado. O parecer, meticulosamente elaborado em 61 laudas, ressaltou a imperiosa necessidade de uma Perícia Judicial para clarificar a capacidade mental do Sr. Adair José, tanto no passado quanto no presente”, diz nota do advogado Jefferson Nascimento da Silva.
Família nega insanidade
A reportagem da Banda B procurou também a defesa que representa a família de Franciele Rigoni. Em nota, a advogada Débora Sombrio disse que “diariamente, a imprensa noticia a instauração de incidentes de insanidade mental requeridos pelas defesas de homens que tentam justificar o assassinato cruel de suas companheiras. Esse caso não é uma exceção”.
Ainda conforme a advogada, “vale ponderar que em um processo penal democrático, o acusado pode suscitar todas as estratégias que entender pertinentes, ainda que venham a ser improcedentes”.
Em relação a Adair José Lago, apesar dos 15 anos de intenso convívio, os familiares de Franciele jamais identificaram quaisquer dos alegados sintomas que embasaram referido pedido do réu. “A análise técnica, realizada por perito judicial, possivelmente confirmará a plena higidez mental do acusado e reforçará a necessidade de uma resposta penal para o bárbaro crime premeditadamente cometido”.
O crime
O corpo de Franciele Gusso Rigoni foi encontrado na noite de 31 de maio de 2023, dentro de um carro estacionado em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Segundo a polícia, Franciele foi morta na própria casa e transportada até o local onde o corpo foi localizado. O assassinato, segundo as investigações, aconteceu em um condomínio de alto padrão, em Pinhais.
Adair Lago foi preso no dia 2 de junho, durante o velório de Franciele. Segundo a polícia, ele é suspeito de planejar e executar o crime.
Em 27 de julho, o suposto executor do crime, Wesley Lopes, também foi preso. Ele estava na cidade de Siqueira Campos, no Norte do Paraná, e segue detido.