A Polícia Civil concluiu o inquérito ligado à morte da profissional de relações públicas Franciele Gusso Rigoni, de 35 anos, encontrada morta dentro de um carro em Colombo, na região metropolitana de Curitiba (RMC), nesta terça-feira (15). O corpo foi localizado na noite de 31 de maio.

De acordo com o delegado Herculano Augusto de Abreu, que atua na Delegacia do Alto Maracanã, as investigações apontaram que o marido Adair José Lago e Wesley Lopes, segundo suspeito de participar do crime, sendo que ambos foram presos durante o andamento do inquérito, são os responsáveis pela morte da mulher.

Em nota enviada à Banda B, a defesa da dupla se posicionou sobre a finalização do inquérito – leia o texto na íntegra, abaixo.

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Segundo a polícia, no dia do crime, o marido de Franciele saiu da casa em que o casal morava em Pinhais por volta de 13 horas e seguiu até Campina Grande do Sul, onde buscou o segundo envolvido, um homem de 28 anos que foi preso em julho na cidade de Siqueira Campos.

No caminho de volta para a casa eles pararam em um comércio para comprar uma touca e um par de luvas. Na sequência, os dois seguiram até a casa da vítima em Pinhais, sendo que o comparsa do marido entrou no condomínio escondido no banco traseiro do carro. “Ele ficou escondido até o momento oportuno de entrar na casa e matar a Franciele, que estava deitada no sofá”, relata o delegado.

Para criar um álibi, o marido da vítima foi deixado próximo a uma loja de materiais de construção, no bairro Atuba, onde fez orçamento de móveis para piscina, e o segundo suspeito seguiu até Quatro Barras, onde dispensou e tentou queimar o tapete.

Depois do crime consumado, os dois suspeitos limparam a sala para eliminar o sangue e colocaram o corpo da vítima no banco do passageiro do carro do casal. “Eles também colocaram no porta-malas o tapete da sala”, diz.

Depois disso, ele seguiu até Colombo onde abandonou o veículo com o corpo de Franciele.
Ainda de acordo com o delegado, os dois homens foram indiciados por homicídio qualificado mediante paga ou promessa de recompensa, traição e emboscada ou mediante outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima. Eles também devem responder por fraude processual.

Os dois seguem presos. O inquérito foi relatado e encaminhado ao Ministério Público de Paraná.

Relembre a morte de Franciele Rigoni

O corpo de Franciele foi localizado na noite de 31 de maio, no banco do passageiro do veículo Corolla pertencente ao casal. O carro estava estacionado em uma rua de Colombo.

No primeiro momento, o marido relatou que “a esposa teria deixado ele em uma loja, teria seguido para um mercado e não teria voltado para buscá-lo”.

As investigações da polícia Civil de Colombo iniciaram imediatamente, e já no dia seguinte, no encerramento do velório, o marido de Franciele foi preso como principal suspeito do crime.
No outro dia a polícia localizou em Quatro Barras o tapete da casa parcialmente queimado e com vestígios de sangue. A perícia na casa da vítima apontou grande quantidade de sangue humano na sala.

Cerca de 30 dias após o crime o segundo suspeito foi localizado e preso no interior do Estado. Ele, segundo a polícia, havia vendido um comércio em Campina Grande do Sul e se escondeu em Siqueira Campos.

Espaço Banda B – defesa dos suspeitos

Em nota enviada à Banda B, as advogadas Débora Sombrio e Bárbara Ferrasioli, que representam a família de Franciele disseram lamentar e repudiar “o covarde precoce encerramento da vida de Franciele, bem como toda forma de violência de gênero”.

Além disso, a assistência de acusação se diz confiante “no trabalho das autoridades que atuam no caso e na célere efetivação da justiça, com a responsabilização criminal dos envolvidos, em respeito à memória da vítima”.

Leia o texto na íntegra, abaixo:

Na data de ontem (14/08/2023), o Ministério Público do Estado do Paraná ofereceu denúncia contra Adair Lago e Wesley Lopes pelo feminicídio de Franciele Gusso Rigoni, praticado no dia 31/05/2023, no interior da residência onde a vítima morava com o marido Adair, no município de Pinhais/PR.

As investigações demonstraram que Adair planejou, organizou e dirigiu o covarde e cruel ataque à sua então esposa, contando com a participação de Wesley para executar o feminicídio, esconder os vestígios do crime e ocultar o cadáver da vítima.

Além da qualificadora do feminicídio, a denúncia descreve que o assassinato de Franciele foi praticado por motivo torpe e mediante promessa de recompensa (motivação financeira), dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima (art. 121, § 2º, incisos I, IV, VI c/c § 2o-A, I, do Código Penal, sob a égide da Lei Maria da Penha).

Os indivíduos também foram denunciados pelos crimes de fraude processual (art. 347, CP) e ocultação de cadáver (art. 211, CP). Ao tempo em que lamentamos e repudiamos o covarde e precoce encerramento da vida de Franciele, bem como toda forma de violência de gênero, seguimos confiantes no trabalho das autoridades que atuam no caso e na célere efetivação da justiça, com a responsabilização criminal dos envolvidos, em respeito à memória da vítima.

advogadas Débora Sombrio e Bárbara Ferrasioli.

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Caso Franciele Rigoni: inquérito é concluído e suspeitos são indiciados por homicídio qualificado

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