O júri do ex-policial federal Ronaldo Massuia Silva, acusado de matar o fotógrafo André Muniz Fritoli e ferir outras três pessoas em um ataque a tiros dentro de uma loja de conveniência em um posto de combustíveis no bairro Cristo Rei, foi adiado. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira (6) pela Juíza de Direito da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba.

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O ex-policial federal Ronaldo Massuia é acusado de matar um fotógrafo e deixar outras três pessoas feridas em posto de combustíveis. (Foto: Reprodução câmera de segurança).

O adiamento ocorreu a pedido da defesa do réu, com concordância do Ministério Público do Paraná (MPPR), para evitar qualquer “arguição de nulidade futura“, diante de um impasse relacionado à representação processual do acusado, que teve troca de advogado recentemente.

A princípio, o julgamento estava agendado para a próxima semana, nos dias 9, 10, 11 e 12 de fevereiro, e ouviria cinco testemunhas de acusação e 18 de defesa, além das vítimas que estavam no posto e sobreviveram ao ataque do ex-policial federal. O júri popular ainda não tem nova data definida.

O Ministério Público do Paraná (MPPR) mantém a acusação de homicídio triplamente qualificado e sete tentativas de homicídio triplamente qualificadas por motivo fútil, perigo comum e uso de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa das vítimas.

O que diz a defesa

Foi a defesa de Ronaldo Massuia que entrou com pedido para cancelamento do júri na próxima semana. A equipe jurídica afirma que existem questões processuais que precisam de análise e cautela e reforça que não existe intenção de ‘manobra’ em relação ao processo. Leia nota na íntegra:

“A defesa de Ronaldo Massuia Silva informa que a MM. Juíza de Direito da 1ª Vara Privativa do Tribunal do Júri de Curitiba/PR deferiu o pedido formulado pela defesa técnica e determinou o cancelamento da sessão de julgamento que estava designada para início em 09/02/2026.

Esclarece-se que uma nova data será oportunamente designada, contudo, antes disso, existem questões processuais que precisam ser previamente analisadas pelo Juízo, especialmente diante de problemas que permearam a representação processual do acusado em período anterior, circunstância que impõe cautela para se verificar, com a necessária profundidade, eventual ocorrência de nulidades e a preservação da higidez do procedimento.

A defesa ressalta, de forma objetiva, que o pleito apresentado jamais teve a intenção de constituir manobra ou protelar a marcha processual. Ao contrário: buscou-se, com responsabilidade e seriedade, assegurar a efetiva aplicação dos direitos e garantias fundamentais constitucionalmente previstos, preservando-se o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, de modo a evitar que o julgamento ocorra sob risco de vícios capazes de comprometer a validade dos atos e a própria regularidade do procedimento.”

O caso

Ronaldo Massuia Silva foi preso em flagrante pouco depois de ele entrar em uma loja de conveniências de um posto de combustíveis e atirar contra clientes. O ataque resultou na morte do fotógrafo André Muniz Fritoli e deixou outras três pessoas feridas.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o policial entra na loja e abre fogo contra os clientes. No vídeo, é possível ver que os tiros foram disparados à queima-roupa. Horas após ser preso, ele disse em depoimento que agiu em legítima defesa.

Em abril de 2025, Massuia foi demitido da corporação pelo Ministro da JustiçaRicardo Lewandowski. O entendimento do ministro é que o “acusado incorreu em infrações que comprometeram a função policial, tendo considerado, inclusive, que o acusado prevaleceu-se, abusivamente, de sua condição de funcionário público”.