A briga de vizinhos no bairro Tatuquara, em Curitiba, que terminou com uma jovem de 27 anos gravemente ferida e o atirador preso, continua repercutindo. Após passar 21 dias internada — 14 deles na UTI —, a vítima resolveu contar a própria versão e rebateu as justificativas apresentadas pelo autor dos disparos. Segundo ela, nem luz tinha em casa para que houvesse som alto como o atirador justificou.

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Jovem passou 21 dias internada, 14 deles na UTI. Foto: Reprodução/RICtv.

No dia do crime, os moradores contaram que o desentendimento começou por causa do volume alto e das letras das músicas, o que incomodava na região.

O tiro perfurou a barriga, atingiu o intestino e a bala ficou alojada no pulmão. Em entrevista ao repórter Tiago Silva, da RICtv, a jovem, que ainda se recupera das lesões, afirma que sobreviveu por um milagre.

“É um milagre, eu tinha 80% de chance de morrer na cirurgia. Ele me deu um tiro primeiro na minha cabeça, foi que falhou a arma, ele baixou a arma e deu na minha barriga. Ele atirou primeiro na cabeça, direto na minha cara. Falhou e ele desceu a arma, ele engatilhou de novo ali e daí deu na barriga”

relatou a jovem.

Mesmo após retirar sondas e o dreno, a vítima ainda enfrenta problemas no pâncreas e segue em tratamento.

“Tenho que cuidar da alimentação, pra mim andar é difícil. Estou fazendo acompanhamento semanal, de três em três dias. Não consigo trabalhar. Estou costurada desde a boca do estômago até embaixo”

disse.

Ela afirma não perdoar o vizinho. “Sem perdão, porque tirar uma vida. Eu trabalho o dia inteiro, dia e noite, não estava bebendo, não estava fazendo nada. Como que uma pessoa chega e dá um tiro em você assim por uma discussão banal de 3 minutos?”.

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Homem disse que atirou contra vizinha por conta do som alto. Foto: Reprodução/RICtv.

Não tinha som alto

O motivo alegado pelo autor para o crime, o do som alto e música com palavras inapropriadas, segundo a vítima, não condiz com a realidade.

“Não tinha som alto, tanto que a polícia conseguiu provar que eu estava três dias sem luz, porque pegou fogo no poste, a gente ligou para a Copel. Ele disse que eu estava em casa fervendo, com som alto, mas o delegado puxou as imagens que eu nem estava em casa. Eu saí meio-dia e voltei às 19h em casa”

contou.

Segundo a jovem, o homem acabou sendo tratado como herói na história. O homem chegou a ser recebido com festa pelos vizinhos quando foi prestar depoimento.

“Não tinha música alta. Nem luz não tinha. Ele ainda sai como herói de uma história dessa.  A vítima foi eu. Foi eu que fiquei internada e agora tô cheia de problema aqui”.

desabafou.

A jovem também nega que estivesse armada. Isso porque o homem chegou a dizer que ela teria buscado uma faca em casa, por isso ele reagiu.

“Ele fala que eu estava com uma faca, sendo que eu nem cheguei a entrar em casa. Eu estava de top, saia, não tinha como ter nada ali escondido. Simplesmente cheguei em casa, discuti com ela e fiquei esperando pra fora, porque meu irmão estava no mercado e eu estava trancada pelo lado de fora. Ele conta que eu corri pra dentro e peguei uma faca. Como se eu estava trancada? Porém, as imagens provam tudo, o delegado conseguiu provar tudo”.

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Moça contou que teve que mudar de casa, por medo do atirador. Foto: Reprodução/RICtv.

Mudou de casa

O medo agora faz parte da rotina. Ela disse inclusive que a família teve que mudar de casa, mesmo o endereço do Tatuquara sendo próprio, por receio do que possa acontecer.

“A gente tem medo, né? Porque a gente não sabe nem o que está mexendo. A família dele também não sei como funciona, não sei como que é. Já não estou mais em casa. A casa é própria lá, mas a gente está largando a casa porque eu não quero mais. É complicado, né? A gente tem que sair da própria casa para viver em outro lugar por medo dos outros, entendeu? Porque imagina se ele fez, imagina uma hora ou outra se ele se estressa de novo, daí ele vai me matar?”

comentou a jovem.

O vizinho, autor do disparo, foi preso por determinação da Justiça e vai responder por tentativa de homicídio duplamente qualificada. A vítima espera que ele permaneça atrás das grades.

“Só que ele pague o que ele fez. É o mínimo, o mínimo. Ele está saindo como vítima da história, como herói da sociedade, mas o mínimo é ele pagar o que ele fez. Eu sei que eu passei. Quero que a Justiça seja feita”.

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