Depois de um domingo marcado por uma briga de vizinhos que terminou em tiro, Anderson Rodrigues Camargo, de 42 anos, decidiu dar sua versão sobre o episódio que deixou uma jovem ferida no bairro Tatuquara, em Curitiba. O crime aconteceu durante uma discussão por causa de som alto, que terminou com Tainá, de 28 anos, baleada. Anderson afirma que agiu por medo, após a mulher partir para cima de sua esposa. Ao voltar para a casa, ele foi recebido com festa. Veja o vídeo abaixo.

Morador da região há 12 anos e trabalhador da área de manutenção predial, ele conta que a convivência com a vizinha nunca foi fácil. Segundo ele, as reclamações sobre som alto são constantes na rua, e no dia da ocorrência a situação fugiu do controle.
Em entrevista ao repórter Tiago Silva, da RICtv, Anderson contou que a briga teria começado por causa do volume e do conteúdo das músicas ouvidas pela jovem — que, de acordo com ele, incomodavam toda a vizinhança.
“Foi pedido para eles pararem com o som, e não foi nem eu, foi a vizinhança inteira ali. Estavam ouvindo proibidão. Muitos palavrões. É muita putaria. Eu tenho minha filha, eu tenho minha enteada, e daí como que eu vou educar minha filha se o pessoal não respeita?”
desabafa Anderson Rodrigues Camargo.
Anderson relata que a discussão começou entre sua esposa e a vizinha, e que a jovem teria ameaçado agredir a mulher. O temor aumentou quando ele lembrou de um caso anterior envolvendo a mesma vizinha.
“Como ela já tinha dado uma facãozada no meu vizinho, eu imaginei que ela podia estar com a faca e daí na hora que eu vi que ela veio pra cima, eu estiquei a arma e atirei”
afirma.
Uma câmera de segurança de uma das casas registrou o momento da confusão.
Perturbação de sossego
O disparo atingiu Tainá, que foi socorrida e encaminhada ao hospital. A vítima está internada, em estado grave. Para Anderson, no entanto, o caso reflete um acúmulo de situações que se arrastam há anos.
“Sempre acontece isso. O problema com o som alto, a gente já tem muito ali, um e outro sempre tem. Chama a polícia, a polícia vai lá na hora, eles desligam o som, quando a polícia vai embora, eles ligam o som de novo. Chega uma hora que você não aguenta mais”
lamenta Anderson.
Sobre a relação com a vizinha, ele foi direto: “Toda vez que reclamamos, ela fala ‘se não estiver gostando, vai embora, se muda’. Não, não vou mudar. Eu moro aqui, o pessoal tem que respeitar”.

Recebido com festa e fogos
Quando voltou para a casa, após ser ouvido por conta do disparo, Anderson foi recebido pelos vizinhos com fogos e festa. Segundo o homem, todos estão a seu favor, pois compartilhavam do mesmo sentimento de impunidade.
“Todo mundo está me apoiando porque eles sabem que eu trabalho de segunda a segunda, eu trabalho fora do meu horário. Trabalho das 7 horas da manhã, vou até uma hora da manhã trabalhando, duas horas da manhã. Ficou todo mundo a meu favor. Sempre acontece isso. O problema com o som alto, a gente já tem muito ali, um e outro sempre tem. Chama a polícia, a polícia vai lá na hora, eles desligam o som, quando a polícia vai embora, eles ligam o som de novo”.
comenta o homem.
Veja o vídeo do momento em que Anderson chega em casa:
Defesa alega que Anderson não quis matar
O advogado de defesa, Faruk Salmen, afirmou que Anderson não tinha intenção de matar e que o tiro foi disparado no calor do momento.
“Ele sai da casa, vê aquela situação, a menina vai para cima da mulher dele e como ele mesmo afirmou, a intenção dele não era tirar a vida dela, tanto que ele nem estava olhando para onde estava efetuando o disparo da arma de fogo”
comenta o advogado Faruk Salmen.
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Ainda segundo Salmen, a vítima tem histórico de comportamento agressivo na região.
“É uma pessoa que tem um histórico criminal drástico. A vizinhança também já teve outros problemas com ela. É uma pessoa que os antecedentes criminais não corroboram com uma pessoa de boa índole, de boa conduta”
justificou o advogado.

Anderson vai responder ao processo em liberdade e, segundo a defesa, está disposto a colaborar com as investigações.
“Ele vai colaborar com a investigação completa, com instrução processual, se caso o Ministério Público oferecer denúncia. Se for para tribunal do júri, que é o que nós não queremos — queremos absolvê-lo sumariamente —, mas também vai responder tudo com muita precisão”
finaliza Salmen.
A vítima se recupera do ferimento, e a Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer todos os detalhes do caso.
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