Familiares de Deise Lu Nazário Betcher, morta há três semanas em Curitiba, afirmam que um funcionário de funerária da capital paranaense pediu o pagamento de R$ 1,5  mil para burlar o sistema de rodízio de enterros da cidade. A mulher foi enterrada no Cemitério do Boqueirão, na última sexta-feira (19), contra a vontade da família, que foi impedida pelo serviço funerário municipal de transportar o corpo para o município de Maracajá, onde mora toda a família Betcher.

Foto: Reprodução/Facebook

O impedimento se deu pela falta de um comprovante de residência que assegurasse que ela realmente morava em Maracajá, antes de se tornar moradora de rua no Paraná. O caso foi noticiado pela Banda B e chamou a atenção de um suposto funcionário de uma funerária curitibana, que teria buscado uma compensação financeira para, ilegalmente, liberar o corpo de Deise. O contato se deu pelo telefone com o irmão de Deise, Rinaldo Neto.

A reportagem da Banda B teve acesso aos áudios que mostram a conversa do funcionário com Rinaldo. Neles, o funcionário explicou que conhece a situação pelas redes sociais e que poderia ajudar a família, tirando o corpo do IML.

Funcionário da funerária:  Então assim, o que eu consigo fazer para vocês? Eu consigo tirar o corpo do IML. Eu pegaria, liberaria o corpo por qualquer uma das 26 funerárias de Curitiba, que é através de um sorteio. Essa funerária da vez eu mandaria entregar em um certo local onde seria entregue e vocês já poderiam ir buscar o corpo. Conseguiria fazer isso para vocês por R$ 1,5 mil.

Rinaldo: A questão é, eu não tenho hoje esse R$ 1,5 mil para te dar em mãos.

Funcionário da funerária: E o que o senhor teria para me arrumar hoje, e o restante para fazer no cartão para você?

Rinaldo: Eu não trabalho com cartão e hoje aqui comigo eu não tenho nada!

Funcionário da funerária: E não tem ninguém que o senhor conheça que possa fazer uma transferência, alguma coisa?

Rinaldo: O senhor garante essa liberação?

Funcionário da funerária: Garanto!

O caso aconteceu semana passada, quando Rinaldo soube que a irmã, que era moradora de rua e usuária de drogas, tinha sido encontrada morta em um terreno baldio, em Curitiba. A família ficou tão transtornada com a situação que resolveu realizar o enterro no Cemitério Municipal do Boqueirão.

Rinaldo ainda disse não entender o porquê de ter enterrado a irmã longe de casa. “Eles me exigiram esse comprovante, mas eu falei que ela estava em situação de rua, não tinha como conseguir. Apresentamos vários outros documentos, como o boletim de ocorrência com seu endereço em Santa Catarina, mas não aceitaram”, contou.

Outro lado

Entramos em contato com a Prefeitura de Curitiba e com a empresa citada e aguardamos retorno.