O mau hálito, também chamado de halitose, vai muito além de um simples desconforto: pode afetar a autoestima e até prejudicar a convivência social. Com o Dia Mundial da Saúde Bucal em 20 de março, especialistas reforçam a importância de entender as reais causas do problema — que nem sempre estão onde muita gente imagina.

Ao contrário do que é comum pensar, escovar os dentes com mais frequência ou culpar o estômago nem sempre resolve a situação. Em muitos casos, o mau cheiro tem origem na própria boca ou até em problemas respiratórios.
Segundo o otorrinolaringologista Henrique Furlan, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, identificar a causa correta é essencial para tratar a halitose de forma eficaz.
Estômago é o principal culpado? Nem sempre
Um dos mitos mais comuns é o de que o mau hálito vem do estômago. Na prática, isso raramente acontece.
Na maioria dos casos, o problema está na boca. Entre as causas mais comuns estão a saburra lingual (placa esbranquiçada na língua), doenças gengivais e o acúmulo de placa bacteriana.
“Essas bactérias quebram proteínas e liberam compostos com enxofre, responsáveis pelo odor forte característico da halitose”
explica o especialista.
Problemas respiratórios podem causar mau hálito
Se a saúde bucal está em dia, é preciso investigar outras origens. Doenças respiratórias, como rinite e sinusite, também podem provocar o problema.
Nesses casos, ocorre o chamado gotejamento pós-nasal, quando secreções descem pela garganta. Esse muco alimenta bactérias e intensifica o mau cheiro.
Outro fator comum é a respiração pela boca, geralmente causada por nariz entupido. Isso resseca a cavidade oral — condição chamada de xerostomia — e favorece a proliferação de bactérias.
“A saliva ajuda a limpar a boca e controlar odores. Quando ela diminui, o mau hálito tende a piorar”,
“Bolinha” na garganta pode ser a causa
As pequenas bolinhas brancas ou amareladas que aparecem na garganta, conhecidas como cáseos amigdalianos, também estão entre as causas frequentes.
Elas se formam nas cavidades das amígdalas e são compostas por restos celulares, muco e bactérias. O ambiente favorece a produção de compostos com cheiro forte.
Quem sofre com o problema costuma relatar gosto ruim constante na boca e sensação de algo preso na garganta.
O tratamento pode incluir higiene bucal reforçada, gargarejos com água morna e sal e, em alguns casos, remoção por um especialista.
Chiclete resolve mau hálito? Só disfarça
Mascar chiclete pode até ajudar momentaneamente, mas não resolve a causa do mau hálito.
Após alguns minutos, o efeito passa e o problema volta. Além disso, chicletes com açúcar podem piorar a situação, já que alimentam as bactérias responsáveis pelo odor.
Versões sem açúcar estimulam a salivação, mas ainda assim têm efeito temporário.
Mau hálito tem solução
Outro mito comum é acreditar que, se a higiene bucal está correta e o problema persiste, não há solução. Isso não é verdade.
Quando o mau hálito continua mesmo com cuidados adequados, pode ser sinal de que a origem não é odontológica.
Sintomas como nariz entupido frequente, dor facial, boca seca e inflamações na garganta indicam a necessidade de avaliação com otorrinolaringologista.
Cirurgia não é o primeiro caminho
A retirada das amígdalas não costuma ser a primeira opção de tratamento.
Segundo o especialista, a abordagem inicial inclui mudanças de hábitos, higiene adequada da boca e da garganta, lavagem nasal e tratamento de doenças respiratórias.
A cirurgia fica restrita a casos mais graves, quando não há resposta aos tratamentos convencionais.
Prevenção é o melhor caminho
Independentemente da causa, alguns cuidados simples ajudam a evitar o mau hálito:
- Beber água regularmente
- Escovar os dentes e a língua diariamente
- Usar fio dental
- Tratar problemas gengivais
- Controlar alergias respiratórias
Além de melhorar o hálito, essas medidas contribuem para a saúde geral do organismo.
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