A morte do ator Eric Dane, aos 53 anos, nesta quinta-feira (19), trouxe atenção à esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta o sistema nervoso e compromete movimentos essenciais do corpo, como andar, falar, engolir e respirar. O artista, conhecido mundialmente pelo papel de Mark Sloan na série Grey’s Anatomy, havia tornado público o diagnóstico menos de um ano antes.

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Ator Eric Dane tornou público o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA) em 2025 e passou a conscientizar sobre a doença degenerativa que afeta músculos e respiração. Foto: Reprodução.

Com o avanço da doença, o ator passou a necessitar de cuidados permanentes, 24 horas por dia, e também se envolveu em iniciativas de conscientização sobre a condição, que ainda não tem cura. A ELA é considerada rara, mas devastadora, e costuma evoluir de forma progressiva, com impacto significativo na autonomia e na qualidade de vida dos pacientes.

Segundo o Ministério da Saúde, a prevalência no Brasil é estimada entre 1 e 2 casos para cada 100 mil pessoas.

O que é a esclerose lateral amiotrófica (ELA)

Em entrevista à Banda B, a neurologista Márcia Rodrigues, do CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, explica que a ELA é uma doença que afeta diretamente os neurônios motores — células responsáveis por transmitir os comandos do cérebro para os músculos.

“A esclerose lateral amiotrófica é uma afecção neurológica que atinge nervos e músculos. É uma doença neurodegenerativa e progressiva, que não compromete apenas os membros, mas também funções vitais como respiração e deglutição”

explica a médica.

Isso significa que, ao longo do tempo, os músculos deixam de responder aos comandos do cérebro, levando à fraqueza progressiva e perda de movimentos.

Sintomas iniciais: sinais que merecem atenção

A especialista explica que os primeiros sintomas costumam ser sutis e podem ser confundidos com outros problemas neurológicos ou musculares, o que muitas vezes atrasa o diagnóstico.

“A fraqueza progressiva geralmente começa em um dos membros inferiores. Com a evolução, pode atingir o outro membro, depois os braços, e evoluir para dificuldade respiratória e deglutição”, afirma.

Outros sinais possíveis incluem:

  • Contrações ou abalos musculares (fasciculações)
  • Cãibras frequentes
  • Dificuldade para falar ou engolir
  • Perda de força nas mãos ou pernas
  • Alterações na voz

A língua também pode apresentar tremores, porque é formada por músculo.

Como é feito o diagnóstico da ELA

Não existe um exame único que confirme a doença. O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na história do paciente e no exame neurológico.

Segundo a médica, exames complementares são importantes para descartar outras condições com sintomas semelhantes.

“Os exames mais importantes são a eletroneuromiografia e a ressonância magnética de crânio e coluna cervical, principalmente para excluir outras patologias que também podem causar fraqueza nos membros”

explica.

O acompanhamento clínico contínuo também é essencial porque a doença é evolutiva e pode apresentar novas complicações ao longo do tempo.

Existe tratamento para ELA?

Atualmente, não há cura para a esclerose lateral amiotrófica. No entanto, existem abordagens que ajudam a retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.

“Existe um medicamento utilizado atualmente, o riluzol, mas ele não promete cura. O mais importante é o suporte multidisciplinar, com fisioterapia motora e respiratória, acompanhamento psicológico, avaliação fonoaudiológica e suporte clínico contínuo”, destaca a neurologista.

A evolução da doença varia muito entre os pacientes — alguns apresentam progressão rápida, enquanto outros convivem com a condição por anos.

Impacto na vida dos pacientes

Com o avanço da ELA, muitos pacientes passam a depender de ventilação assistida, alimentação por sonda e cuidados integrais. Mesmo assim, as funções cognitivas geralmente permanecem preservadas, o que torna o impacto emocional ainda maior.

Em uma despedida exibida após sua morte, Eric Dane deixou reflexões sobre a convivência com a doença no episódio de “Famous Last Words”, divulgado pela Netflix nesta sexta-feira (20).

O ator falou abertamente sobre o impacto da ELA em sua vida e reforçou a importância da resiliência diante do diagnóstico.

“Lute com todas as suas forças e com dignidade. Quando você enfrentar desafios, de saúde ou de qualquer outra natureza, lute. Nunca desista. Lute até o seu último suspiro. Esta doença está lentamente consumindo meu corpo, mas jamais consumirá meu espírito”

declarou.

A visibilidade gerada por casos como o de Eric Dane ajuda a ampliar o conhecimento sobre a doença e reforça a importância do diagnóstico precoce, do acesso ao tratamento e do investimento em pesquisas científicas.

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