A morte do ator Eric Dane, aos 53 anos, nesta quinta-feira (19), trouxe atenção à esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta o sistema nervoso e compromete movimentos essenciais do corpo, como andar, falar, engolir e respirar. O artista, conhecido mundialmente pelo papel de Mark Sloan na série Grey’s Anatomy, havia tornado público o diagnóstico menos de um ano antes.

Com o avanço da doença, o ator passou a necessitar de cuidados permanentes, 24 horas por dia, e também se envolveu em iniciativas de conscientização sobre a condição, que ainda não tem cura. A ELA é considerada rara, mas devastadora, e costuma evoluir de forma progressiva, com impacto significativo na autonomia e na qualidade de vida dos pacientes.
Segundo o Ministério da Saúde, a prevalência no Brasil é estimada entre 1 e 2 casos para cada 100 mil pessoas.
O que é a esclerose lateral amiotrófica (ELA)
Em entrevista à Banda B, a neurologista Márcia Rodrigues, do CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, explica que a ELA é uma doença que afeta diretamente os neurônios motores — células responsáveis por transmitir os comandos do cérebro para os músculos.
“A esclerose lateral amiotrófica é uma afecção neurológica que atinge nervos e músculos. É uma doença neurodegenerativa e progressiva, que não compromete apenas os membros, mas também funções vitais como respiração e deglutição”
explica a médica.
Isso significa que, ao longo do tempo, os músculos deixam de responder aos comandos do cérebro, levando à fraqueza progressiva e perda de movimentos.
Sintomas iniciais: sinais que merecem atenção
A especialista explica que os primeiros sintomas costumam ser sutis e podem ser confundidos com outros problemas neurológicos ou musculares, o que muitas vezes atrasa o diagnóstico.
“A fraqueza progressiva geralmente começa em um dos membros inferiores. Com a evolução, pode atingir o outro membro, depois os braços, e evoluir para dificuldade respiratória e deglutição”, afirma.
Outros sinais possíveis incluem:
- Contrações ou abalos musculares (fasciculações)
- Cãibras frequentes
- Dificuldade para falar ou engolir
- Perda de força nas mãos ou pernas
- Alterações na voz
A língua também pode apresentar tremores, porque é formada por músculo.
Como é feito o diagnóstico da ELA
Não existe um exame único que confirme a doença. O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na história do paciente e no exame neurológico.
Segundo a médica, exames complementares são importantes para descartar outras condições com sintomas semelhantes.
“Os exames mais importantes são a eletroneuromiografia e a ressonância magnética de crânio e coluna cervical, principalmente para excluir outras patologias que também podem causar fraqueza nos membros”
explica.
O acompanhamento clínico contínuo também é essencial porque a doença é evolutiva e pode apresentar novas complicações ao longo do tempo.
Existe tratamento para ELA?
Atualmente, não há cura para a esclerose lateral amiotrófica. No entanto, existem abordagens que ajudam a retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.
“Existe um medicamento utilizado atualmente, o riluzol, mas ele não promete cura. O mais importante é o suporte multidisciplinar, com fisioterapia motora e respiratória, acompanhamento psicológico, avaliação fonoaudiológica e suporte clínico contínuo”, destaca a neurologista.
A evolução da doença varia muito entre os pacientes — alguns apresentam progressão rápida, enquanto outros convivem com a condição por anos.
Impacto na vida dos pacientes
Com o avanço da ELA, muitos pacientes passam a depender de ventilação assistida, alimentação por sonda e cuidados integrais. Mesmo assim, as funções cognitivas geralmente permanecem preservadas, o que torna o impacto emocional ainda maior.
Em uma despedida exibida após sua morte, Eric Dane deixou reflexões sobre a convivência com a doença no episódio de “Famous Last Words”, divulgado pela Netflix nesta sexta-feira (20).
O ator falou abertamente sobre o impacto da ELA em sua vida e reforçou a importância da resiliência diante do diagnóstico.
“Lute com todas as suas forças e com dignidade. Quando você enfrentar desafios, de saúde ou de qualquer outra natureza, lute. Nunca desista. Lute até o seu último suspiro. Esta doença está lentamente consumindo meu corpo, mas jamais consumirá meu espírito”
declarou.
A visibilidade gerada por casos como o de Eric Dane ajuda a ampliar o conhecimento sobre a doença e reforça a importância do diagnóstico precoce, do acesso ao tratamento e do investimento em pesquisas científicas.
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