Um estudo recente publicado na revista Frontiers in Nutrition acendeu um alerta sobre os possíveis efeitos do consumo de adoçantes artificiais no organismo. A pesquisa, conduzida por cientistas chilenos, indica que substâncias como sucralose e estévia podem provocar alterações no intestino que se estendem por até duas gerações em camundongos.

Mão adicionando adoçante em uma xícara de café ao lado de camundongos em laboratório.
Estudo aponta que adoçantes podem alterar o intestino de camundongos e impactar gerações seguintes. Foto ilustrativa: Divulgação/ Freepik e Unsplash.

Apesar dos resultados, os próprios autores reforçam que os dados não devem ser aplicados diretamente a humanos. Ainda assim, eles defendem cautela e consumo moderado desses produtos até que mais estudos sejam realizados. As informações são do portal Correio Braziliense.

Pesquisa acompanhou duas gerações

Para entender os efeitos dos adoçantes, os pesquisadores analisaram 47 camundongos, divididos em três grupos. Cada grupo recebeu, ao longo do experimento, água pura ou água com doses de sucralose ou estévia semelhantes às ingeridas por pessoas em uma dieta comum.

Após essa fase inicial, os animais foram reproduzidos por duas gerações consecutivas — que passaram a consumir apenas água — para avaliar se os efeitos seriam herdados pelos descendentes.

Alterações na glicose e no intestino

Os cientistas submeteram os animais a testes de tolerância à glicose, usados para identificar possíveis sinais de resistência à insulina, fator associado ao desenvolvimento de diabetes.

Os resultados mostraram mudanças ao longo das gerações:

  • Na primeira geração, apenas machos descendentes de animais que consumiram sucralose apresentaram sinais de alteração na glicose;
  • Já na segunda geração, níveis elevados de açúcar no sangue apareceram também em fêmeas descendentes de animais expostos à estévia.

Além disso, análises do intestino indicaram alterações importantes na microbiota — conjunto de bactérias que vivem no organismo. Apesar de mais diversa, essa microbiota apresentava menor produção de compostos considerados benéficos para a saúde.

Sucralose teve impacto mais intenso

Entre os adoçantes avaliados, a sucralose demonstrou efeitos mais duradouros e intensos. Os animais expostos à substância apresentaram maior presença de bactérias potencialmente prejudiciais e redução das consideradas benéficas.

Também foram identificadas alterações na atividade de genes ligados à inflamação e ao metabolismo, com efeitos que persistiram por duas gerações. No caso da estévia, as mudanças foram mais leves e não ultrapassaram uma geração.

Risco não é imediato, dizem cientistas

Segundo os autores, os camundongos não desenvolveram doenças como diabetes, mas apresentaram sinais iniciais de alterações metabólicas e inflamatórias.

Essas mudanças, de acordo com os pesquisadores, podem aumentar a vulnerabilidade a problemas de saúde dependendo de outros fatores, como alimentação rica em gordura.

Especialistas pedem cautela

Os cientistas ressaltam que o estudo aponta associações, mas não comprova uma relação direta de causa e efeito. Outro ponto importante é que os resultados foram obtidos em camundongos, o que limita a aplicação direta para humanos.

Especialistas externos também recomendam interpretação cuidadosa dos dados, destacando que o comportamento biológico dos animais — incluindo hábitos como a ingestão de fezes — pode influenciar a transmissão das alterações entre gerações.

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