Sentir dor durante a relação sexual ainda é um assunto cercado de tabu, e isso faz com que muitas mulheres demorem para procurar ajuda. O problema, conhecido como dispareunia, pode acontecer em qualquer fase da vida e deve ser encarado como um sinal de alerta do corpo.

Mulher sentada na cama com expressão de preocupação após sentir dor na relação sexual, enquanto parceiro está deitado ao lado
Dor durante a relação pode afetar o bem-estar físico e emocional e deve ser investigada. Foto ilustrativa: Freepik.

Apesar de ser relativamente comum, a dor durante o sexo não deve ser considerada normal. Identificar o tipo de desconforto e o momento em que ele aparece é fundamental para investigar a causa e iniciar o tratamento adequado.

Tipos de dor na relação sexual

A dor pode se manifestar de diferentes formas. Em alguns casos, surge logo no início da penetração. Em outros, aparece em movimentos mais profundos ou até mesmo após o ato.

A chamada dor superficial costuma ocorrer na entrada da vagina e pode vir acompanhada de ardência ou sensibilidade. Já a dor profunda é percebida na região do baixo ventre ou da pelve, muitas vezes como uma cólica ou pontada.

O que pode causar dor durante o sexo

As causas variam conforme a fase da vida e as condições de saúde da mulher. Entre as mais comuns estão:

  • Falta de lubrificação e ansiedade no início da vida sexual
  • Infecções vaginais e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
  • Condições como endometriose e vulvodínia
  • Alterações hormonais no pós-parto, amamentação e menopausa
  • Ressecamento vaginal
  • Cicatrizes de cirurgias ou efeitos de tratamentos como radioterapia
  • Uso de medicamentos que reduzem a lubrificação

De acordo com a ginecologista Loreta Canivilo, é importante romper o silêncio sobre o tema.

“Nenhuma dor deve ser ignorada. Ela pode ser superficial ou profunda, mas em ambos os casos há tratamento. O primeiro passo é falar sobre o que está sentindo e buscar ajuda”

orienta a médica.

Quando a dor na relação sexual vira sinal de alerta

Além do desconforto durante o sexo, outros sintomas também merecem atenção. Ardência ao urinar após a relação, por exemplo, pode indicar irritação ou até infecção urinária, principalmente se vier acompanhada de urgência para urinar ou febre.

Outro ponto importante é observar em que momento a dor aparece — no início, durante ou após a relação. Essas informações ajudam o médico a direcionar o diagnóstico.

A dispareunia não afeta apenas o corpo. O problema também pode comprometer a saúde emocional, gerando ansiedade, queda da autoestima e até medo de novas relações.

Esse ciclo pode agravar ainda mais a dor, tornando o tratamento ainda mais necessário e urgente.

Tratamento: o que fazer

O tratamento depende da causa e costuma envolver uma abordagem multidisciplinar. Entre as opções estão:

  • Uso de lubrificantes e, quando indicado, terapia hormonal
  • Tratamento de infecções
  • Fisioterapia do assoalho pélvico
  • Acompanhamento psicológico ou terapia sexual
  • Ajustes em medicamentos

A avaliação médica inclui histórico detalhado, exame ginecológico e, em alguns casos, exames complementares.

“Com o diagnóstico correto, a melhora costuma ser significativa. A dor pode ser comum, mas não é normal. Procurar ajuda faz toda a diferença”

reforça a especialista.

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