Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 14,5 milhões de brasileiros sofrem de diabetes. Ainda de acordo com o estudo, a taxa de incidência da doença cresceu 61,8% nos últimos dez anos. No Brasil, cerca da metade das pessoas que possuem diabetes ainda não têm o diagnóstico. No Paraná, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, o número de óbitos por diabetes entre 2014 e 2016 foi de 3.400 mortes por ano, uma média de 9 mortes por dia.

(Foto: EBC)

 

No dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes. Por isso, no próximo sábado (09/11), dois grandes eventos – Retina do Bem 2019 e 7º Mutirão Diabetes Curitiba – se unem em prol da conscientização da doença. Será na Praça Ouvidor Pardinho, das 9h às 16h, e a entrada é gratuita.

Neste dia, os pacientes diabéticos poderão realizar exame de “Fundo de Olho”, que pode diagnosticar a Retinopatia Diabética, e diabéticos com 10 anos de doença vão realizar a avaliação do pé diabético. Os casos com retinopatia diabética que forem diagnosticados durante a ação serão encaminhados para tratamento.

No mesmo dia, o Retina do Bem 2019 e o 7º Mutirão Diabetes Curitiba oferecerão também serviços multidisciplinares relacionados à área da saúde, com a participação de enfermeiros, cardiologistas, endocrinologistas, nutricionistas, farmacêuticos e educadores físicos.

FATORES

A endocrinologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – regional Paraná (SBEM-PR), Maria Augusta Karas Zella, listou alguns fatores de risco para a doença e explicou o quanto a genética pode influenciar nesse quadro.

“Os principais fatores de riscos para desenvolver o diabetes são: sedentarismo, pressão alta, colesterol alto, obesidade ou sobrepeso com aumento da circunferência abdominal, diabetes gestacional e histórico familiar da doença (pais e irmãos). Vale destacar, no entanto, que a genética é o principal fator de risco. Porém, se a pessoa com essa predisposição atuar nos fatores de risco modificáveis, como por exemplo, fazer atividade física regularmente e manter uma alimentação saudável, ajuda a prevenir o diabetes”, completou a especialista.

Sintomas do diabetes

Os sintomas característicos do diabetes são: urinar muito e tomar muita água, além da perda de peso aparecerem mais frequentemente no diagnóstico do diabetes tipo 1. A maioria dos portadores de diabetes tipo 2 são assintomáticos. “Por isso”, lembra Maria Augusta, “que 50% dos diabéticos permanecem sem diagnóstico”.

Obesidade x diabetes

A obesidade é um dos principais fatores de risco para o diabetes tipo 2, e existe uma forte relação entre o ganho de peso, mesmo que pouco, e o aumento do risco. De acordo com a endócrino, a obesidade visceral – quantidade gordura no nível do abdómen – tem um papel relevante no desenvolvimento da diabetes tipo 2.

Como medir: em pé, deverá medir a largura com a ajuda da fita métrica colocada entre a parte inferior das costelas (em baixo da última costela) e a crista ilíaca (parte superior dos ossos da bacia). O valor é anotado depois de uma inspiração normal à altura do umbigo.

Medidas de circunferência abdominal igual ou superior a 94 cm em homens e 80 cm em mulheres já indicam maior risco.

Tipos de diabetes

Existem vários tipos de diabetes, como diabetes tipo 1, diabetes tipo 2, diabetes gestacional, secundário à medicação (corticoide é o mais frequente, seguido de alguns antipsicóticos e alcoolismo) e secundário a doenças pancreáticas.

O tipo 1 e o tipo 2 geralmente são os mais conhecidos. O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune (destruição autoimune das células produtoras de insulina) e geralmente aparece na infância e adolescência, afetando, em média, entre 5 e 10% do total de pessoas com a doença – pode ser diagnosticada em adultos também. É tratado com reposição de insulina, medicamentos, mudanças nos hábitos alimentos e estímulo à prática de atividade física.

Já o diabetes tipo 2 é quando o pâncreas produz insulina, mas há a resistência da ação da insulina para captação de glicose no músculo e nas células gordurosas. É mais comum em pessoas com mais de 40 anos, sedentárias, sem hábitos saudáveis de alimentação, acima do peso, mas também pode afetar os jovens e crianças.

Prevenção do diabetes

Hábitos alimentares adequados e atividade física regular são fundamentais para ficar longe da doença. A forma mais efetiva de prevenção do diabetes é a mudança de estilo de vida.

Em relação à alimentação, os diabéticos devem comer de forma saudável, restringir os carboidratos processados e preferir os alimentos com fibras que reduzem o índice glicêmico.

Pé diabético

Quem tem diabetes pode ter a sensibilidade dos pés alterada e não sentir dores quando apresentar algum problema. Com isso, perde-se a proteção da dor e lesões podem progredir sem sentir incômodo. E aí, ao perceber o problema, pode ser tarde – e em alguns casos, é necessária a amputação.

Segundo a especialista, o primeiro cuidado é a inspeção dos pés para verificar se não há nenhuma micose ou ‘frieira’, que é uma porta de entrada para bactérias. “Ao cortar as unhas, cuidado para não causar ferimentos. Nunca coloque bolsa de água quente nos pés devido ao risco de queimadura sem sentir. A dica é procurar o médico no caso de dor ou mudança de temperatura, ou cor dos pés”, ressalta.

A doutora também esclareceu que nem todo paciente diabético terá complicações nos pés. “O pé diabético acontece quando o indivíduo apresenta alterações da circulação com insuficiência arterial periférica associada com a neuropatia periférica”.

Os principais sintomas da neuropatia são: dor (em forma de ardência ou pontada), queimação, dormência ou formigamento, fraqueza nas pernas, cãibras, principalmente a noite, entre outros. E a principal forma de diagnosticar a neuropatia diabética é o exame físico do pé com testes de sensibilidade.

Convivendo com o diabetes

O diabetes não tem cura, mas tem controle. De acordo com Maria Augusta, pessoas com diabetes e que mantêm a doença controlada podem ter uma vida normal. “O diabético precisa gerenciar os valores de glicose no sangue e ser treinado a tomar decisões efetivas no seu autocuidado”, reforçou.

Segundo a International Diabetes Federation, os 7 pilares para o bom manejo do diabetes são:

– Comer de forma saudável;

– Fazer atividade física;

– Vigiar os valores de glicemia;

– Tomar os medicamentos;

– Encontrar soluções;

– Reduzir riscos;

– Adaptar-se saudavelmente.

Sobre o Dia Mundial do Diabetes

Em 14 de novembro é comemorado o Dia Mundial do Diabetes, em memória ao aniversário de Frederick Banting, que juntamente com Charles Best descobriram a insulina em 1923. Em 2006, a ONU reconheceu como uma data mundial. Atualmente, esse dia é comemorado em mais de 160 países.

Sobre o Novembro Diabetes Azul

O Novembro Diabetes Azul voltou a integrar o Calendário de Eventos do Ministério da Saúde em 2018. O tema da Federação Internacional de Diabetes (IDF) para 2019 se manteve como no do ano passado – A família e o diabetes. A família tem papel importante no cuidar e apoiar a pessoa com diabetes.

“A família deve colaborar com a dieta adequada do paciente diabético, para que todos vivam com saúde, além de dar suporte para ajudar os portadores da doença que já possuem complicações. Também é fundamental o apoio psicológico e o incentivo à realização da atividade física”, completou Maria Augusta.

Para mais informações, acesse: http://novembrodiabetesazul.com.br/ .