O novo coronavírus que surgiu na cidade chinesa de Wuhan e causa uma doença pulmonar grave já foi detectado em vários países, onde infectou milhares de pessoas e provocou mais de 130 mortes.

E, de acordo com especialistas, estes números devem aumentar, o que está deixando as autoridades de saúde em todo o mundo em alerta.

Diagnóstico laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus (2019-nCoV), realizado pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde

 

O episódio lembra outro surto, o da Síndrome Respiratória Aguda Grave, conhecida como Sars (a sigla em inglês), também causada por um coronavírus, que matou 774 das 8.098 pessoas infectadas, quando eclodiu na China em 2002.

“Existe uma lembrança forte da Sars, daí o medo, mas agora estamos muito mais preparados para lidar com essas doenças”, diz à BBC Josie Golding, da fundação britânica de pesquisa médica Wellcome Trust.

1) Com que facilidade é transmitido?

No início do surto, as autoridades chinesas disseram que o vírus não era transmitido entre seres humanos, mas desde então foram identificados milhares de casos de pessoas infectadas dessa maneira.

Os cientistas informaram que cada indivíduo infectado pode transmitir o vírus para uma média que fica entre 1,4 e 2,5 pessoas.

Esse número é particularmente importante porque corresponde à taxa de reprodução básica do vírus e, quando excede 1, significa que é “autossustentável”, ou seja, os especialistas sabem que ele não será extinto por si só.

2) Qual é a fase de contágio?

Os cientistas na China indicam que os pacientes podem transmitir o vírus antes mesmo de aparecerem os primeiros sintomas, que incluem febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar.

O intervalo de tempo entre o contágio e o início dos sintomas — conhecido como período de incubação — pode variar de um a 14 dias.

3) Quão rapidamente a doença se alastra?

Em poucos dias, o número de pessoas infectadas passou de centenas para milhares.

Mas o rápido crescimento dos números, mais acelerado que em outros surtos, pode ser devido à maior capacidade da China hoje de identificar pessoas infectadas.

Na realidade, há muito pouca informação sobre a “taxa de crescimento” do surto.

Mas especialistas acreditam que o número real de pessoas atingidas é provavelmente maior que o divulgado.

É o que indica um relatório do Centro de Análise de Doenças Infecciosas Globais do Imperial College London.

4) Como é possível conter o vírus?

Sabe-se que o vírus não vai retroceder por conta própria: somente medidas tomadas pelas autoridades podem acabar com a epidemia.

Tampouco há uma vacina disponível que possa fornecer imunidade à população. Mas os cientistas já estão trabalhando no desenvolvimento de uma.

A expectativa é de que as pesquisas conduzidas em torno da vacina contra a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que também é um coronavírus, possam facilitar este trabalho.

5) O vírus pode sofrer mutação?

É esperado que os vírus, de uma maneira geral, sofram mutações e evoluam. Mas é difícil prever o que isso significa em cada caso.

A Comissão Nacional de Saúde da China alertou que a capacidade de transmissão do coronavírus está se fortalecendo, mas não foi clara sobre o risco apresentado por mutações virais.

Isso é algo que os cientistas estão observando atentamente.

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