Nesta semana vivemos o Dia Nacional de Combate ao Colesterol, no dia 8 de agosto. Esse ano, o cuidado com as crianças é o tema central da campanha, promovida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Nacional, através do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose e Comissão de Campanhas da Sociedade, e em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria.

O tema “O colesterol alto do seu filho não é brincadeira. Proteja sua família. Procure seu pediatra ou seu endocrinologista” procura alertar os pais e responsáveis que as crianças e os adolescentes também podem ter colesterol alto. Segundo a endocrinologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – regional Paraná, dra. Maria Augusta Karas Zella, uma criança pode ter seu colesterol alto mesmo que sua família não o tenha.

“É importante informar ao médico a história de saúde dos familiares – pais ou avós que tiveram infarto do coração ou AVC (“derrame”) precoce, antes dos 55 anos para homens, e 65 anos para mulheres”, alerta a endócrino.

O que é colesterol?

O colesterol é um tipo de gordura importante e necessária para o funcionamento do nosso corpo, pois participa da formação da parede das células de todo o organismo, além da formação de hormônios e vitaminas.

Em geral, acredita-se que o colesterol presente em nosso sangue vem apenas dos alimentos que ingerimos (ex. alimentos gordurosos), mas é importante saber que o nosso corpo produz colesterol. O fígado é muito importante neste processo, pois é o grande responsável pela eliminação/remoção do LDL-colesterol do organismo.

Através do exame perfil lipídico ou lipidograma é possível conhecer o nível de colesterol, triglicerídeos, LDL colesterol e HDL.

Causas do colesterol alto na infância

As principais causas de colesterol alto na infância e adolescência são a alimentação rica em gorduras, o excesso de peso e o sedentarismo. Entretanto, algumas crianças terão colesterol alto mesmo seguindo uma dieta saudável.

Colesterol alto pode ser familiar?

Sim. O importante é saber se a pessoa tem colesterol alto de família ou apenas porque ela abusa da alimentação. O colesterol familiar é o vilão maior porque começa na infância e pode causar infarto precoce nas pessoas. É a chamada Hipercolesterolemia Familiar (HF)

Exame de colesterol nas crianças

O exame de colesterol deve ser realizado:
• em TODA criança entre 9 e 11 anos de idade (antes do início da puberdade);
• em algumas situações em crianças de 2 a 8 anos: crianças acima do peso, com diabetes ou que façam tratamento de saúde para doenças nas quais o seu médico solicite; e naquelas com histórico de saúde dos familiares com doença cardíaca precoce.

Controle do colesterol

Segundo a endocrinologista, a principal medida para o controle do colesterol ou dos triglicerídeos é baseada em mudança de estilo de vida. Ela listou algumas dicas importantes:

1. Adotar uma alimentação saudável é fundamental.
• Evite: bolacha recheada, refrigerante, bolo, chocolate, sorvete, hambúrguer, batata frita, frituras e alimentos ultraprocessados em geral. Outra orientação é não deixar as crianças muito tempo em frente a telas (TV, videogame, iPad);
• Prefira: verduras, legumes e frutas, peixe, frango, queijo branco. É importante que os pais incentivem brincadeiras ao ar livre, corridas e esportes.

2. Na maioria dos casos de dislipidemia não há necessidade de medicação para as crianças;
3. Quando são necessárias, as medicações podem ser prescritas pelo médico e mostram-se seguras para as crianças;
4. Na hipercolesterolemia familiar a medicação é sempre necessária e de forma contínua.
5. O acompanhamento multidisciplinar com nutricionista e seu médico pediatra ou endocrinologista está sempre recomendado;

A doença chamada de hipercolesterolemia familiar (HF) – colesterol alto de origem familiar é a doença responsável por 5-10% dos casos de infarto do coração em pessoas abaixo de 50 anos. Estima-se que, no mundo todo, existem mais de 10.000.000 de indivíduos portadores de HF; no entanto, menos de 10% destes têm diagnóstico conhecido de HF, e menos de 25% recebem tratamento.