O líder do Governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), criticou a atuação do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta na condução do enfrentamento da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Para ele, centenas de pessoas morreram devido aos pedidos para que a população permanecesse em casa. “Nós começamos tudo errado, começamos com essa história de fica em casa, se tiver tosse, febre, dor de cabeça, fica em casa, só vai para o hospital se tiver falta de ar, e aí já era tarde. Foi um erro grave do ministro Mandetta”, disse Barros, em entrevista à Banda B, na manhã desta quarta-feira (19).

Até o fim da tarde desta terça-feira (18), o Brasil soma 110.019 mortes registradas desde o início da pandemia pelo coronavírus. Ao todo, são 3.411.872 brasileiros infectados pelo vírus.

 

Deputado Ricardo Barros e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Foto: Reprodução

 

Mandetta foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro em abril desse ano, um mês após o início da pandemia no Brasil, por divergências públicas sobre o isolamento social.

Na opinião de Barros, que também já exerceu função de ministro da Saúde no Governo Temer, Mandetta errou ao seguir recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Foi um erro grave do ministro Mandetta, que é médico, mas que entrou na história na Organização da Saúde e não entendeu que nós somos o Brasil, que temos o SUS, que é o maior programa de atendimento à saúde gratuita do mundo. Então, nós não tínhamos que adotar uma medida que foi dada ao mundo inteiro, que é o fica em casa, porque o Brasil tem estrutura na saúde para tratar seus pacientes. A pessoa ficava em casa até faltar ar, ia já precisando de respirador e o ministro Mandetta saiu sem comprar nenhum respirador”, criticou.

Imunidade de rebanho

Ainda, o deputado Ricardo Barros defendeu a polêmica ideia de imunidade de rebanho ao afirmar que 70% da população brasileira teria de se contaminar com o novo coronavírus. “Se nós retomarmos a economia, as atividades, conquistaremos logo a imunidade de rebanho, ou seja, 70% da população tendo adquirido o coronavírus e tendo anticorpos a epidemia acaba porque o vírus não consegue mais se propagar, já que passa a encontrar pessoas imunes”, disse ele.

A imunidade de rebanho  é quando o número de pessoas imunes a uma infecção chega a um nível que freia sua disseminação. Essa versão é contestada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que declarou, nesta terça-feira (18), que a imunidade de rebanho está descartada como forma de superar a pandemia: ‘com mais de 720 mil mortos pelo mundo e oito meses depois da eclosão da crise, estudos revelam que, em média, 90% da população do planeta continua suscetível ao vírus’, diz o comunicado. Ainda, a maneira heterogênea como a doença se desenvolve no organismo das pessoas, levando a casos graves e óbitos, a torna tão temerária.

Barros é contra esse estudo e defende o isolamento vertical, mesma bandeira do presidente Bolsonaro. “Eu tive coronavírus, minha família teve, todos assintomáticos. A literatura diz que 85% das pessoas não terão sintomas. Eu acho que começamos errado, começamos a enfrentar o problema de forma errada, deveríamos ter passado para o isolamento vertical, que é isolar apenas idosos e imunodeprimidos, e já teríamos encerrado e superado essa pandemia”, finalizou.

Veja a entrevista à Banda B na íntegra: