Durante o mês do Fevereiro Roxo, campanha dedicada à conscientização sobre doenças crônicas, especialistas alertam para um sintoma comum — mas pouco discutido — em pessoas com Alzheimer: a incontinência urinária. A condição, que provoca perda involuntária de urina, pode surgir com o avanço do comprometimento cognitivo e exige cuidados específicos no dia a dia.

Segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), cerca de 6% dos brasileiros com mais de 60 anos convivem com a doença, considerada a principal causa de demência no mundo. Informações do Ministério da Saúde também apontam o Alzheimer como um dos maiores desafios de saúde pública relacionados ao envelhecimento populacional.
Por que o Alzheimer pode causar incontinência
Com a progressão da doença, é comum que o paciente tenha dificuldade para reconhecer sinais do próprio corpo, como a vontade de urinar, ou até para identificar o banheiro e utilizá-lo corretamente.
De acordo com a enfermeira Maria Alice Lelis, consultora da marca TENA, a incontinência nesses casos costuma ser classificada como funcional, ou seja, relacionada ao declínio cognitivo e à perda gradual de mobilidade.
“A pessoa pode não perceber a necessidade de ir ao banheiro ou não conseguir executar tarefas simples, como se locomover até o sanitário”
explica a enfermeira.
A especialista destaca que a incontinência urinária, de forma geral, pode ter tratamento e até reversão dependendo da causa. No entanto, quando associada ao Alzheimer, o foco principal passa a ser o manejo adequado dos sintomas e o conforto do paciente.
Cuidados essenciais com a pele e rotina
Um dos principais riscos da incontinência é a irritação cutânea provocada pela umidade constante.
Por isso, os cuidados devem incluir manter a pele sempre limpa e seca. utilizar produtos específicos para proteção cutânea, fazer trocas frequentes de absorventes ou fraldas e observar sinais de vermelhidão ou lesões.
Além disso, medidas simples podem reduzir episódios de escapes:
- Estabelecer horários regulares para ir ao banheiro
- Manter o ambiente iluminado e sinalizado
- Facilitar o acesso ao sanitário
- Usar comunicação calma e respeitosa
Essas estratégias ajudam tanto no bem-estar físico quanto emocional da pessoa com Alzheimer e de quem cuida.
Como escolher o produto adequado
A escolha do produto deve considerar principalmente o nível de mobilidade do paciente.
Para pessoas ativas ou semidependentes, recomenda-se absorventes para incontinência ou roupas íntimas descartáveis.
Já para pacientes com mobilidade reduzida ou acamados, o recomendado são fraldas geriátricas, que facilitam o cuidado e evitam vazamentos
Fevereiro Roxo: diagnóstico precoce é fundamental
A campanha também tem como objetivo incentivar o diagnóstico precoce do Alzheimer, o acesso à informação e o acompanhamento médico adequado. Embora não tenha cura, o tratamento pode retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente e da família.
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