O Brasil registrou 1.518 feminicídios em 2025, uma média de quatro mulheres mortas por dia, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Só no Paraná foram 87 casos no ano passado, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SESP).
Por trás dessas estatísticas estão histórias interrompidas, e crianças que passam a conviver com um trauma que, muitas vezes, começa antes mesmo da morte.

A psicóloga, especialista em saúde mental e fundadora do Instituto Vita Alere, Karen Scavacini, explica que raramente o feminicídio é um evento isolado e costuma ser o desfecho de um processo progressivo de violência que já impactava a dinâmica familiar.
“A violência não começa no grito. Muitas vezes começa no silêncio, na desvalorização constante e na perda gradual de autonomia emocional e material. Quando há ameaças, controle sobre roupas, trabalho ou relações sociais, estamos diante de um relacionamento abusivo. Muitas vezes ele começa de forma branda e vai se intensificando. Muitas mulheres acabam ficando presas nesse relacionamento por não terem rede de apoio psicossocial ou autonomia financeira para romper o ciclo”.
Quando a violência termina em um crime como o feminicídio, os filhos perdem a mãe de forma abrupta e traumática e, muitas vezes, ficam privados da convivência com o pai, seja por prisão ou pelo afastamento.
O ambiente, no qual já existia tensão, se transforma em um ambiente de luto, desamparo e falta de sensação de segurança.
“É preciso incorporar políticas estruturadas de acolhimento psicológico e acompanhamento social às crianças que se tornam vítimas indiretas, sob o risco de perpetuar impactos emocionais duradouros e ciclos de violência que atravessam gerações”.