Edison Brittes foi ouvido pelos jurados do júri do Caso Daniel, na noite desta segunda-feira (18), e afirmou durante o interrogatório que foi orientado a mentir por seu antigo advogado, Claudio Dalledone Junior. Dalledone e equipe renunciaram da defesa do réu em março do ano passado alegando “motivo de foro íntimo”.

O escritório do advogado Elias Mattar Assad assumiu a defesa de Edison Brittes.

sdfsdfs
Foto: Divulgação

“Eu fui instruído pelo advogado anterior a mentir, mas agora estou aqui para falar a verdade. Se eu falei outra coisa foi porque eu fui induzido pela defesa anterior, a qual não me representa mais”, afirmou o réu.

Ele não especificou o que exatamente teria sido orientado a mentir. Após a declaração, o Ministério Público afirmou que quer que Dalledone seja notificado e se manifeste sobre as acusações.

Dalledone

A reportagem da Banda B entrou em contato com o advogado, que se defendeu e disse que a alegação de Edison é caluniosa.

“A alegação dele é absolutamente mentirosa, eu jamais orientei ele a mentir. Eu tenho gravada toda a entrevista que tive com ele. Evidentemente que foi induzido pelo advogado para tentar sair de eventuais contradições e usa desse argumento pueril, dessa tática defensiva surrada para querer imputar ao advogado algo que não ocorreu”, afirmou Dalledone.

À Banda B, o advogado disse que renunciou à defesa de Brittes após receber uma proposta “indecorosa” e que teria tudo documentado. Ele não revelou qual proposta teria sido essa.

Família Brittes

No início do interrogatório, que durou aproximadamente 1h40, Edison lembrou do início do relacionamento com Cristiana, que começou em 1998. Ela tinha 15 anos e ele tinha 17.

A festa de 18 anos de Alana, que foi quando o crime aconteceu, teria sido um momento muito feliz e idealizado por eles. Ele revelou que Daniel já tinha participado da festa de aniversário de Alana no ano anterior e que lá teria importunado uma menina.

No dia da morte da Daniel, durante o ‘after’ na casa da família Brittes, Edison teria ido comprar bebidas alcoólicas no mercado a pedido do jogador. Na volta para casa, ele notou que Daniel não estava junto com os outros convidados.

WhatsApp Image 2024-03-18 at 16.53.02
Edison Brittes durante o julgamento nesta segunda-feira (18) – Foto: Banda B

“Não imaginava que ele estaria no meu quarto, na minha cama, com a minha mulher. Quando cheguei na porta do quarto, a porta estava fechada e sei que a Cris não fechava a porta para dormir. Eu também não tinha trancado quando a deixei lá. Tentei abrir a porta, não abriu, dei a volta e fui na janela do quarto que eram só encostadas. Eu abri a janela, quando puxei a cortina, ele estava em cima dela, montado em cima dela. Ela embaixo e ele em cima dela. Eu já pulei a janela, passei a perna, fui em cima dele para tirar ele de cima dela. Ele estava de cueca, camiseta e com o pênis para fora esfregando nela. Quando eu vi o pênis dele pra fora eu fiquei louco, possesso, fiquei cego”, narrou ele.

Agressões

Na sequência, ele relata que começou a agredir Daniel, arrastou o jogador pela sala e para fora da residência. Vários presentes teriam pedido para ele parar de bater em Daniel, entre eles Cristiana Brittes.

Ele teria ficado ainda mais enfurecido após pegar o celular de Daniel, ver as fotos que ele tirou e os áudios que mandou para um amigo.

“Minha ideia era largar ele no pedágio, mas depois que escutei o áudio, vi a mensagem com a foto, fiquei louco, cego, com raiva, virei para a direita sem rumo e saí da BR, peguei uma estrada de chão. Peguei um caminho que eu nem sabia onde estava, fiquei cego, estava muito louco. Peguei, andei até um determinado lugar, parei o carro e desci já abrindo o porta-malas e aconteceu tudo. Eu fiz isso sozinho, peguei pelos braços e arrastei tirando ele da estrada”, continuou Brittes.

Arrependimento

Dentro da cadeia, Edison denunciou ter sido torturado e lamentou ter ficado sem ver a filha e a esposa.

Ele admitiu ter se arrependido do crime, mas que foi Daniel quem provocou a sequência de acontecimentos.

WhatsApp Image 2024-03-18 at 16.52.57
Foto: Banda B

“Eu me arrependo sim, mas a situação dos fatos que causaram isso não foram feitas por mim. Eu não procurei por isso. Eu não saí com o carro para matar um inocente, eu não mexi com a mulher de ninguém, não mexi com criança. Eu estava em casa. Quem criou tudo que foi o Daniel. Se ele tivesse respeitado a mulher, o ambiente, nada disso teria acontecido”.

O réu confesso do caso disse ainda que Evellyn Brisola Perusso foi obrigada a ficar na casa e ajudar na limpeza do local após o homicídio e que não ameaçou ninguém a mudar o depoimento.

Após o interrogatório de Edison, o júri foi suspenso e deve ser retomada nesta terça-feira (19) às 08h30.

Comunicar erro

Comunique a redação sobre erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página.

Edison Brittes acusa Dalledone de tê-lo orientado a mentir: “Mas agora estou aqui para falar a verdade”

OBS: o título e link da página são enviados diretamente para a nossa equipe.