O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa ouviu nesta segunda-feira (16) o depoimento do deputado Renato Freitas (PT) a respeito de dois casos em apuração. Um deles se refere a uma confusão durante uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ocorrida em 24 de fevereiro de 2025. O outro se trata de uma manifestação que teria impedido o funcionamento de em um supermercado, em junho do mesmo ano.

A sessão na CCJ debatia um projeto de lei que fixava o número do efetivo da Polícia Militar (PM). Segundo Renato, enquanto ele justificava seu voto contrário à criação de cargos comissionados de oficiais da PM, um assessor do deputado Marcio Pacheco (Progressistas) ria e gesticulava.
Incomodado, Renato repreendeu o assessor parlamentar. Pacheco, em seguida, saiu em sua defesa. A partir de então, teve início um bate-boca entre Freitas, Pacheco e o deputado Ademar Traiano (PSD), presidente da CCJ.
Após o término da sessão, Freitas e o assessor parlamentar se encontraram no corredor, quando houve um conflito.
“Eu saí e, para a minha surpresa, o rapaz estava me esperando do lado de fora. Não só ele. O deputado Tito Barichello também [estava] o parabenizando naquele momento”, disse Renato na sessão desta segunda. Tito Barichello (União Brasil) é relator do processo.
Um vídeo mostra Renato empurrando o assessor. O petista alega que apenas o afastou, sem agredi-lo.
Nesta sessão, foi encerrada a etapa de oitivas (depoimentos). A seguir, haverá apresentação das alegações finais do relator e do acusado, precedendo a decisão final sobre o processo.
Protesto no supermercado após assassinato
Outro processo em pauta nesta segunda-feira foi relativo à conduta de Renato Freitas durante manifestação que aconteceu em 25 de junho de 2025 em um supermercado. A causa do protesto foi o assassinato de Rodrigo da Silva Boschen, de 22 anos, que foi espancado após tentar furtar chocolate e chicletes no estabelecimento. Quatro pessoas (três seguranças e um funcionário) foram indiciadas pelo homicídio.
A denúncia contra Renato foca em apurar se houve impedimento do funcionamento do comércio. O deputado se defendeu, afirmando que os manifestantes pretendiam obstruir os caixas regulares por 15 minutos, deixando que os clientes que tivessem pressa passassem suas compras nos caixas rápidos.
É possível que diante de um assassinato […] as pessoas consigam passar indiferentes a tamanha injustiça? Essa é uma sociedade em que não quero viver e, por isso, quero transformá-la
disse Renato Freitas durante a sessão.
O petista foi alvo de denúncia protocolada pelos deputados Tito Barichello e Ricardo Arruda (PL), além dos vereadores curitibanos Bruno Secco (Republicanos) e Guilherme Kilter (Novo). A relatoria é do deputado Artagão Junior (PSD).
A fase de instrução desse processo também foi encerrada nesta segunda-feira.
Conselho de Ética teve reunião tumultuada na semana passada
Na segunda-feira da semana passada, dia 9, o Conselho de Ética da Assembleia teve uma reunião tumultuada, que acabou não acontecendo por falta de quórum devido a atrasos por parte de deputados integrantes do colegiado.
O adiamento gerou críticas por parte do vereador Guilherme Kilter, que permaneceu no local, gravando para as redes sociais. Nos vídeos, ele criticou os deputados e insinuou que o motivo do adiamento seria uma tentativa de impedir o andamento do processo e “blindar” Renato Freitas.
Após o ocorrido, deputados de diversos partidos repudiaram o comportamento do vereador. A Casa chegou a anunciar regras de acesso mais rígidas aos encontros do Conselho de Ética, porém o vereador acompanhou, sem ocorrências, os procedimentos desta segunda-feira.
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