(Foto: Hedeson Alves/AEN)

 

Um projeto de lei que visa reduzir as despesas do governo do Paraná causa polêmica entre profissionais da educação. Dois artigos da proposta, do poder Executivo, pedem a retirada dos 596 professores Intra Muros das salas de aula do sistema prisional e a possível contratação de trabalhadores do Processo Seletivo Simplificado (PSS).

Contra o texto, os docentes decidiram se reunir com os deputados da Assembleia Legislativa (Alep), onde o projeto está em tramitação. “Nós queremos mostrar aos nossos parlamentares a importância da educação dentro do sistema prisional. Esses artigos querem quebrar todo o nosso trabalho, que é feito arduamente há mais de 30 anos”, disse a professora Rosinês Jeranoski em entrevista à Banda B nesta quarta-feira (16).

Segundo ela, os deputados devem repensar os artigos, para não prejudicar a educação dos detentos. “Precisa ficar claro que nós tentamos mudar a mentalidade dos presos, para que eles não sejam reincidentes. A justificativa utilizada para esse projeto é de que nós ganhamos muito para trabalhar, já que o valor da gratificação abrange fatores como risco de vida, zona de risco e insalubridade. Eles dizem que todos os profissionais deveriam estar equiparados e que a resposta seria fazer esse corte”, completou a professora.

Sobre o ponto de vista financeiro, a educadora explicou que realizou uma pesquisa extensa e descobriu que a retirada dos 596 trabalhadores do sistema prisional geraria uma economia de 0,004% ao governo, valor que ela considera insignificante se comparado aos resultados que a educação proporciona. “Eu confrontei os dados e descobri que quanto mais tempo o detento passa conosco, menor é a reincidência dele no crime. A taxa de presos que estudavam e voltaram a cometer delitos é de apenas 2,68%. A própria sociedade precisa pensar nisso, já que é ela quem vai receber essas pessoas novamente. Se não houver educação, o detento vai cair no mesmo delito”, finalizou.

O projeto 370/2017 agora tramita pelas comissões da Alep e deve ser levado em breve para votação no plenário.