Uma reunião nesta quarta-feira (18) em Brasília selou o apoio do PL à candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil) ao Governo do Paraná. Dessa forma, o partido terá um palanque para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Estado na disputa pela Presidência da República. O acordo também marca uma ruptura do PL com o governador Ratinho Junior (PSD). As informações foram dadas pelo presidente do PL, Valdermar Costa Neto, a jornalistas de Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo, entre outros, na saída do encontro.

O acordo entre Ratinho Junior e o partido era por troca de apoios: o grupo do governador trabalharia pela candidatura do deputado federal Filipe Martins (PL) ao Senado, enquanto o PL apoiaria o nome escolhido por Ratinho para sua sucessão.
Segundo Valdemar Costa Neto, a intenção seria que Moro concorresse pelo União Brasil, com apoio do PL. No entanto, o ex-juiz da Lava Jato enfrenta dificuldades internas para conseguir viabilizar a candidatura.
A questão passa por uma federaçao feita por seu partido com o Progressistas. Como teria que haver a aprovação de ambas as legendas, ele depende de um aval da Família Barros, que comanda o Progressistas no Estado – o que foi negado.
Também em entrevista aos jornalistas, o presidente do PL deixou as portas do partido abertas para Sergio Moro, caso não haja acordo dentro da federação União Progressista. Uma reunião ainda nesta quarta-feira entre o senador e os presidentes Antonio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (Progressistas) deve definir se o senador fica ou sai.
Uma fonte com conhecimento da negociação, ouvida pela Banda B, aponta que a tendência é que Moro dispute o Governo do Paraná pelo PL. Isso acabou se confirmando no final do dia, quando Flávio e Moro postaram um vídeo juntos anunciando a filiação do senador paranaense ao partido.
Apoio do PL a Moro já era cogitado em fevereiro
A ida de Moro ao PL já era cogitada em fevereiro, mas como uma suposta manobra da campanha de Flávio Bolsonaro para tirar Ratinho Junior da disputa pela Presidência.
O assunto ganhou força novamente nos últimos dias, após uma reunião do paranaense com o senador Rogério Marinho (PL-RN), que é o coordenador da campanha do filho de Jair Bolsonaro à Presidência. Em meio aos rumores, Ratinho Junior negou o convite para apoiar Flávio e disse que trabalharia pela candidatura própria do PSD.
A data-limite para que os candidatos estejam nos partidos que vão disputar as eleições se aproxima, em 4 de abril.
As influências da ida de Moro ao PL na campanha ao Governo do Paraná
Moro é atualmente o líder nas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Paraná. No útimo levantamento do Paraná Pesquisas, ele varia de 44 a 47%, em diferentes cenários pesquisados. Enquanto isso, o favorito de Ratinho Junior, o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), foi o pior entre os três possíveis nomes que disputam a candidatura pelo PSD – e a benção do governador.
Ratinho Junior vem postergando a decisão de quem será o seu nome e do PSD na disputa pela sucessão. Além de Guto Silva, estão no páreo o ex-prefeito de Curitiba e secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi.
A demora tem explicação, pois o governador vem tentando uma composição que mantenha quem for descartado dentro do seu grupo de apoio. Greca já recebeu sondagens para se filiar ao Progressistas e Curi ao Republicanos.
A ida de Moro ao PL consolida a candidatura do ex-senador e deve aumentar a pressão para que Ratinho Junior faça a sua escolha. Apesar de haver quase seis meses para as eleições, reverter a preferência construída pelo ex-juiz da Lava Jato junto ao eleitorado não será uma tarefa simples para o grupo político do governador.
Dados da pesquisa eleitoral
A pesquisa eleitoral citada nesta reportagem foi contratada pelo Partido Liberal e feita pelo instituto Paraná Pesquisas. O número de registro no Tribunal Superior Eleitoral é o PR-06254/2026. O levantamento foi realizado entre os dias 1º e 4 de março de 2026, com entrevistas presenciais em 55 municípios do Paraná. Ao todo, 1.500 eleitores foram ouvidos. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou menos, dentro de um intervalo de confiança de 95%.
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