Manifestantes a favor e contra o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro,  se aglomeram em frente ao prédio da Polícia federal, no bairro Santa Cândida, em Curitiba. Entre os contrários a Moro estão apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, reunidos na calçada da PF desde o início da manhã deste sábado (2).

A Polícia Militar está no local e chegou a conter uma discussão entre os dois grupos.  Antes da chegada de Moro, um manifestante chegou a agredir uma equipe de reportagem de TV. Vários profissionais da imprensa foram hostilizados.

Movimentação de apoiadores do ex-ministro Sérgio Moro e apoiadores de Jair Bolsonaro em frente à Polícia Federal antes do depoimento do ex-juiz da Lava Jato, neste sábado, 02. (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress)A oitiva de Moro foi marcada após o ministro Celso de Mello, do STF, dar o prazo de cinco dias para a corporação ouvir o ex-ministro.

Moro deve detalhar as declarações dadas ao pedir demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, no último dia 24. Em entrevista à revista Veja, ele afirmou que tem provas para incriminar Bolsonaro e disse que as apresentaria à Justiça.

Moro acusou o chefe do Executivo de tentar interferir na autonomia da PF para ter acesso a relatórios de inteligências e a investigações em curso, o que não é permitido.

Ataque de Bolsonaro

Pela manhã, o presidente Bolsonaro voltou a criticar duramente o ex-ministro insinuando que o ex-aliado o teria traído, sem levar adiante as investigações sobre a facada dada no presidente por Adélio Bispo.

Bolsonaro usou suas contas no Facebook e Twitter para divulgar um vídeo em que uma pessoa diz ter identificado vozes de outras pessoas que falariam com Adélio no momento do crime.

“Os mandantes estão em Brasília?”, questiona Bolsonaro, nas publicações. “O Judas, que hoje deporá, interferiu para que não se investigasse?”, pergunta o presidente, referindo-se a Moro, que neste sábado, 2, presta depoimento à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da União.

“Nada farei que não esteja de acordo com a Constituição. Mas também NÃO ADMITIREI que façam contra MIM e ao nosso Brasil passando por cima da mesma Constituição. Ninguém vai querer dar o golpe para cima de mim, não”, escreveu Bolsonaro.

O caso de Adélio Bispo já teve uma investigação feita pela PF e concluída em 2018, que apontou que não houve apoio externo à sua tentativa de matar Bolsonaro. Uma segunda investigação foi aberta e tem apontado para o mesmo caminho. Bolsonaro insiste que foi vítima de uma ação planejada e que haveria terceiras pessoas ligadas ao atentado.

Na manhã deste sábado, 2, Bolsonaro deixou o Palácio do Alvorada sem falar com a imprensa. A apoiadores que estavam na entrada do local, disse que não será alvo de nenhum “golpe” em seu governo. “Ninguém vai fazer nada ao arrepio da Constituição”, afirmou o presidente. “Ninguém vai querer dar o golpe para cima de mim, não”, declarou.

Após o comentário, Bolsonaro entrou no carro e partiu. A assessoria do presidente não informou o destino de presidente ao deixar o Alvorada.