O G7 Paraná – grupo das sete maiores entidades empresariais do Estado – divulgou nesta terça-feira (24) um manifesto demonstrando preocupação com as propostas em discussão no Congresso que buscam a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais e o fim da escala 6×1 (seis dias trabalhados para um de folga).

Trabalhadores na linha de produção de uma montadora de veículos. Entidades empresariais demonstram preocupação com a redução da jornada de trabalho
Entidades empresariais paranaenses têm demonstrado preocupação com a redução da jornada de trabalho – Foto: Roberto Dziura Jr/Agência Estadual de Notícias

Na avaliação das entidades, reduzir a jornada sem enfrentar outros problemas brasileiros, como a falta de infraestrutura, a alta carga tributária, a complexidade regulatória e a baixa qualificação dos trabalhadores, pode elevar o custo por hora produzida, com efeitos negativos no faturamento das empresas, nos empregos formais e na massa salarial.

O G7 é formado por Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Fecoopar), Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) e Associação Comercial do Paraná (ACP).

“A discussão precisa ser equilibrada, sem qualquer viés ideológico e/ou político. A proposta precisa ser discutida com cautela e baseada em dados técnicos”, afirma o coordenador do G7 Paraná e presidente da Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos parlamentares precisam conhecer o real cenário, e não apenas buscar votos”, acrescentou.

Para o G7 Paraná, dados socioeconômicos evidenciam o atraso estrutural do Brasil em relação a outras economias. Pesquisa elaborada pela Gerência de Economia e Finanças Empresariais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) aponta que, atualmente, o País ocupa a 94ª posição no ranking de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Outro dado compilado pela Fiemg aponta que, entre 1990 e 2024, o crescimento médio anual da produtividade foi de apenas 0,9%, evidenciando atraso estrutural frente a outras economias.

“A medida vai provocar efeitos desastrosos. O aumento dos custos produtivos tende a pressionar preços, gerar inflação e comprometer empregos, afetando diretamente consumidores e trabalhadores”, destaca Meneguette.

O manifesto do G7 Paraná aponta possíveis efeitos negativos da redução da jornada, como aumento dos preços de produtos e serviços, pressão inflacionária, aceleração da automação, crescimento da informalidade, precarização das relações de trabalho e expansão da pejotização.

Também é apontado um risco de ampliação indireta da carga de trabalho, caso trabalhadores busquem atividades complementares para recompor a renda diante de eventual elevação do custo de vida.

“O G7 Paraná defende ampla análise técnica dos impactos, respeito às diferenças setoriais, valorização da negociação coletiva e coordenação entre política trabalhista, desenvolvimento econômico e política tributária. É preciso responsabilidade na condução desse debate”, finalizou Meneguette.