A Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) divulgou manifesto em que demonstra “profunda preocupação” com o andamento da discussão da proposta de alteração da jornada de trabalho em debate no Congresso Nacional. De acordo com a entidade, há a necessidade de debater com maior profundidade a questão, que representa riscos de aumento do custo de produtos e serviços, gerando inflação, bem como do crescimento da informalidade, com redução de vagas formais. As informações são de Sérgio Luis de Deus, do RIC.com.br.

Reunião ocorrendo na sede da Faciap. Entidade criticou a forma como é feita a discussão do fim da escala 6x1 no País
Em manifesto, entidade criticou a forma como é feita a discussão do fim da escala 6×1 no País – Foto: Divulgação/Faciap

Atualmente, duas propostas de emendas à Constituição (PEC) estão sendo discutidas sobre o assunto: uma da deputada Erika Hilton, do PSol de São Paulo (PEC 8/25), e outra do deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais (PEC 221/19). Ambas acabam com a escala de seis dias de trabalho e um de descanso, e limitam a jornada de trabalho normal a 36 horas semanais. O governo Lula também cogita encaminhar um projeto de lei sobre o assunto ao Congresso, o que tornaria sua aprovação mais simples.

A Faciap, que representa cerca de 300 associações comerciais em aproximadamente 75% do território paranaense, afirma que a discussão sobre o fim da escala 6×1 está sendo feita de forma acelerada e com viés ideológico.

A discussão sobre a alteração da escala 6×1 precisa ser tratada com responsabilidade, equilíbrio e profundo respeito à realidade de quem empreende e gera empregos no Brasil

diz o presidente da Faciap, Flávio Furlan, no manifesto

No documento, a Faciap reconhece como legítimo o debate sobre qualidade de vida, saúde do trabalhador e modernização das relações de trabalho, mas sustenta que a redução da jornada sem o correspondente aumento de produtividade e sem diálogo efetivo com o setor produtivo pode trazer efeitos negativos para a economia.

Segundo a entidade, reduzir a carga horária sem redução salarial elevaria o custo da hora trabalhada em um cenário já marcado por alta carga tributária, burocracia, insegurança jurídica e custo elevado de capital.

A federação destaca que comércio e serviços — responsáveis por grande parte dos empregos formais — dependem de funcionamento contínuo, inclusive aos fins de semana e feriados, o que exigiria contratação adicional ou redução de horário de atendimento.

Por fim. a entidade afirma que seguirá acompanhando a tramitação da proposta no Congresso e defenderá um modelo que preserve a competitividade das empresas, a segurança jurídica e a geração de empregos.

O Brasil precisa, sim, avançar nas relações de trabalho. Mas não pode fazê-lo desorganizando quem sustenta a economia, gera empregos e mantém portas abertas todos os dias. Intervenções abruptas podem comprometer exatamente aquilo que todos dizem defender: emprego, renda e dignidade para o trabalhador

concluiu o presidente da Faciap no texto