A apenas 15 dias do término da janela partidária – o período para que deputados troquem de partido sem perderem os mandatos – a política do Paraná tem intensa movimentação. O final desse prazo – dia 4 de abril – coincide ainda com o último dia para que interessados em concorrer se filiem aos partidos pelos quais pretendem ser candidatos em 2026. De olho nisso, dois nomes na disputa pelo Governo do Paraná trocaram de partido nesta semana – Sergio Moro saiu do União Brasil rumo ao PL e Rafael Greca trocou o PSD pelo MDB. No entanto, essa “dança das cadeiras” acabou gerando repercussões em outra disputa, a pelo Senado.

Bolsonarista de carteirinha, a jornalista Cristina Graeml (União Brasil) fez logo um pronunciamento em suas redes sociais para garantir que mantém a pré-candidatura ao Senado (veja a íntegra abaixo). A fala foi motivada pela saída de Moro e as articulações que teriam sido feitas na composição com o PL.
O senador paranaense foi recebido no partido pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro, escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, para levar o nome da família na disputa pela Presidência nas eleições 2026.
Com a chegada de Moro, o PL rompeu um acordo que tinha com Ratinho Junior, que envolvia troca de apoios: o grupo do governador iria endossar a candidatura do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) ao Senado enquanto o PL apoiaria o candidato escolhido por Ratinho Junior para disputar a sua sucessão.
O acordo Moro-PL incluiria ainda, segundo noticiado pelo Blog Politicamente, a articulação de uma segunda candidatura ao Senado, esta com Deltan Dallagnol (Novo), que foi procurador do Ministério Público Federal (MPF) e parceiro do ex-juiz na Operação Lava Jato.
Com a mudança no cenário, Cristina Graeml pode se ver, mais uma vez, como candidata em uma disputa sem o apoio do bolsonarismo. Em 2024, a jornalista conseguiu um feito ao superar os rivais e ir ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de Curitiba. No entanto, um acordo fez com que Jair Bolsonaro não desse apoio aberto à sua candidatura na segunda etapa da campanha e ela acabou derrotada por Eduardo Pimentel (PSD).
A exclusão de Cristina também já havia sido indicada em anotações do senador Flávio Bolsonaro, vazadas após uma reunião de cúpula do PL. Ao lado de seu nome, um rabisco manuscrito: “não dá, atrapalharia Filipe”. Na impressão do documento, além da jornalista, constavam como candidatos ao Senado os de Filipe Barros e Deltan Dallagnol – este com um rabisco “TSE garante”, relativa à suposta inelegibilidade do ex-procurador da Lava Jato.
O que dizem as pesquisas sobre a disputa pelo Senado no Paraná
O levantamento mais recente na disputa pelas duas cadeiras do Senado neste ano foi divulgado nesta quinta-feira (19) pelo IRG Pesquisas. O instituto distribuiu os cenários entre primeiro e segundo voto, refletindo a mecânica que será usada nas urnas eletrônicas em outubro. No entanto, não foi feita a soma entre os percentuais.
No cenário do primeiro voto estimulado (com apresentação de lista de candidatos), a liderança numérica (sem levar em conta a margem de erro) é de Deltan Dallagnol (Novo), seguido pelo ex-senador Alvaro Dias (MDB) – que agora recebeu o “apoio” de Greca no partido. Confira os números completos:
– Deltan Dallagnol (Novo) – 19,5%
– Alvaro Dias (MDB) – 17,5%
– Gleisi Hoffmann (PT) – 16%
– Alexandre Curi (PSD) – 13,5%
– Cristina Graeml (União Brasil) – 10%
– Filipe Barros (PL) – 9%
– Nenhum/branco/nulo – 7,7%
– Não sabe/não respondeu – 6,8%
No cenário, também estimulado, do segundo voto, a liderança numérica é dos eleitores que disseram que não irão votar em nenhum candidato, em branco ou nulo, com 17% das respostas. Em terceiro lugar, aparece o não sabe ou não respondeu, com 14,9%. Veja os números:
– Nenhum/branco/nulo – 17%
– Alvaro Dias (MDB) – 16,5%
– Não sabe/não respondeu – 14,9%
– Deltan Dallagnol (Novo) – 12,4%
– Filipe Barros (PL) – 11,8%
– Alexandre Curi (PSD) – 11,6%
– Cristina Graeml (União Brasil) – 10,7%
– Gleisi Hoffmann (PT) – 5,1%
Dados obrigatórios da pesquisa eleitoral
A pesquisa do IRG foi feita com recursos próprios e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-02737/2026. O levantamento foi feito por meio de entrevistas telefônicas com 1.000 pessoas no Estado do Paraná, entre os dias 13 e 18 de maio, e teve 30% da amostragem auditada. A margem de erro de 3,1 pontos percentuais em um intervalo de confiança de 95%.