O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou à capital do Paraná, nesta sexta-feira (18), para participar da solenidade de filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT) do ex-governador do Paraná e ex-senador Roberto Requião. Esta é a primeira vez que Lula retorna à cidade onde permaneceu preso por 580 dias. Cerca de 2500 mil pessoas marcaram presença no evento.

O ato contou com a presença de simpatizantes do ex-presidente e de lideranças políticas paranaenses, como o vereador de Curitiba, Renato Freitas, o deputado estadual, Requião Filho, e os deputados federais, Enio Verri e Gleisi Hoffmann.

Foto: Guilherme Lara da Rosa/Banda B

Do lado de fora do centro de convenções, manifestantes contrários ao petista deram início a um princípio de tumulto, mas logo foram contidos por equipes da Polícia Militar que estavam no local.

Em discurso, o ex-governador Requião disse que recebeu convite de Lula e Gleisi Hoffmann para a entrada no partido e anunciou ainda a filiação também ao PT de seu filho, atualmente deputado estadual do Paraná.

“Hoje, depois de uma reflexão profunda e pensada, a convite do Lula e da Gleisi, eu assino minha ficha de filiação, mas simbolicamente não assinarei sozinho. Comigo assina o deputado Requião Filho e mais dez companheiros de luta, por um convite meu e do Lula. Nós praticamente fechamos no Paraná o conjunto das federações sindicais em apoio à candidatura e eleição do Lula”, afirmou o também ex-senador.

Foto: Cristiano Vaz/Banda B

Ovacionado pelo público, o ex-presidente Lula comentou seu retorno à capital paranaense dois anos e quatro meses depois de deixar a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde permaneceu preso após condenação em segundo grau em processo da Operação Lava Jato.

“Hoje talvez vivi o mais emocionante dia da minha vida, porque depois que saí da Polícia Federal de Curitiba, é a primeira vez que retorno pra cá e fui encontrar com algumas centenas de companheiros que fizeram vigília durante 580 dias”, revelou.

Lula continuou seu discurso dizendo não aceitar que o Paraná é um estado conservador ou antipetista.

“Eu nunca aceitei a ideia de que o Paraná é um estado conservador ou antipetista. O Paraná foi, é e será aquilo que a gente quiser à disposição de conversar e convencer o povo do Paraná. Já tive vitórias memoráveis por aqui”, continuou o ex-presidente.

Em Curitiba, o ato aconteceu na Expo Unimed, na Universidade Positivo, e deve ser a única agenda aberta. Agora, o ex-presidente deve se encontrar com líderes partidários.

No sábado (19), Lula segue com Requião para Londrina, para visita a um assentamento do Movimento Sem-Terra (MST).

Filiação ao PT

Requião ingressa no PT para disputar o quarto mandato de governador. Sua presença nas eleições estaduais garantirá palanque para Lula no Paraná, estado que apresentou alta rejeição ao Partido dos Trabalhadores no último pleito presidencial.

No segundo turno de 2018, Jair Bolsonaro (PL) venceu em 307 das 399 cidades paranaenses, angariando 68,4% dos votos válidos, contra 31,6% de Fernando Haddad (PT), que foi o mais votado nos outros 92 municípios.

Emedebista histórico, Requião deixou a legenda em agosto de 2021, após perder a presidência do partido no Paraná para o deputado estadual Anibelli Neto.

No sábado passado, o MDB declarou oficialmente apoio à administração do governador Ratinho Júnior (PSD), que é alinhada ao governo Bolsonaro.

Lula e Requião visitam assentamento do MST em Londrina

Após a passagem por Curitiba, Lula segue para Londrina (386 km da capital), na manhã de sábado (19), onde se encontra com apoiadores no assentamento do MST Eli Vive, a maior área de reforma agrária inserida em região metropolitana do Brasil e criada pelo ex-presidente durante sua segunda gestão, em 2009. São esperadas ao menos dez mil pessoas.

Roberto Requião e Lula (Foto: Arquivo)

Em Londrina, segunda maior cidade do estado, a rejeição ao petista é maior que a média estadual: em 2018, por exemplo, 80,1% dos votos válidos para presidente no segundo turno foram para Jair Bolsonaro, contra 19,6% para Fernando Haddad.

A visita do ex-presidente é organizada pelo MST e se dará no assentamento situado em Lerroville, um dos oito distritos rurais do município, distante cerca de 57 quilômetros da área urbana. Criado há 13 anos, o Eli Vive tem 7.500 hectares de extensão que abriga 501 famílias assentadas, com cerca de 3.000 moradores.

São esperadas dez mil pessoas para a visita do ex-presidente, a maioria de militantes do MST em todo o estado. Lula virá acompanhado de Requião e da presidente do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann. Também estão confirmadas as presenças dos dirigentes nacionais do MST João Pedro Stédile e João Paulo Rodrigues.

O ato está previsto para começar às 10h e terminar às 15h e marcará o lançamento dos Comitês Populares, que atuarão na organização da campanha eleitoral de Lula no Paraná. A estimativa é criar 5 ml comitês em todo o estado, de acordo com a organização do evento. O ex-presidente volta para São Paulo ainda no mesmo dia.

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