Sob o comando do governador João Doria e fora do período eleitoral, o PSDB de São Paulo ampliou em 24% o número de prefeitos filiados ao partido. O total de gestores tucanos nos municípios paulistas passou de 173, na posse de janeiro de 2017, para os atuais 215.

O PSDB lidera o ranking de prefeitos no estado. Em segundo lugar está o MDB, que no mesmo intervalo caiu de 84 para 75 gestores.

Neste ano, para consolidar a hegemonia no estado e fortalecer a base de Doria para eventual disputa eleitoral em 2022, o PSDB quer lançar candidatos em cerca de 500 das 645 cidades paulistas.

Após a eleição de 2016, o PSDB passou a governar 23,7 milhões de habitantes em São Paulo, pouco mais que a metade da população do estado. Hoje, com as novas adesões, governa 25,3 milhões de pessoas, o que representa 55% da população estimada (45,9 milhões).

O aumento do número de prefeitos era uma meta do presidente do PSDB paulista, Marco Vinholi, colocado no cargo por Doria em maio de 2019.

O governador também nomeou Vinholi secretário de Desenvolvimento Regional, posto no qual dialoga com prefeitos, recebe suas demandas e coordena a liberação de verbas para os municípios.

A maior parte das filiações de prefeitos ao PSDB ocorreu em 2019 e, sobretudo, na janela partidária de março de 2020. Embora os prefeitos sejam livres para trocar de partido em qualquer período, as migrações costumam ocorrer nessa janela da Justiça Eleitoral.

Adversários de Doria o acusam de usar a máquina do governo para atrair prefeitos, algo que Vinholi nega. “Não misturamos partido e governo, nunca. A relação do governo com os prefeitos é republicana, e a liberação de verbas respeita os municípios, e não as siglas partidárias dos prefeitos.”

O saldo de 42 novos prefeitos filiados em São Paulo contrasta com o cenário nacional –o PSDB ficou com 103 prefeitos a menos no país no mesmo período. Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, os partidos do centrão cresceram, e a esquerda encolheu na janela partidária.

Enquanto em São Paulo o partido administra 33,3% dos municípios, esse percentual cai para 12,6% no país. O PSDB governa o estado desde 1995.

 

Governador do Estado de São Paulo, João Dória. Foto: Divulgação/PSDB/SP

 

Vinholi afirma que, desde que assumiu o PSDB paulista, teve como prioridade as eleições municipais e estabeleceu como meta “ampliar o número de eleitos e a participação de mulheres e jovens”.

O secretário assume que o partido saiu em busca de novos filiados, com cada membro da direção estadual responsável por uma região. “Fizemos uma busca ativa de lideranças, eleitas ou de fora da política.”

A maior parte dos 51 prefeitos atraídos ao PSDB no estado fora do período eleitoral (o saldo final é de 42 porque 9 deixaram a sigla) veio do PSB. Dez aderiram após a derrota do candidato do seu partido, Márcio França, na disputa com Doria pelo governo de São Paulo em 2018.

O PSD perdeu oito prefeitos para o PSDB, enquanto o MDB e o PTB viram sete e cinco prefeitos, respectivamente, virar tucanos.

O presidente do PTB em São Paulo, deputado estadual Campos Machado, chegou a procurar o Ministério Público para pedir investigação de improbidade administrativa. Segundo ele, os prefeitos estão sendo pressionados e assediados pelo governo do estado, que oferece vantagens.

O deputado anexou à peça uma gravação em que o prefeito de Chavantes (SP), Márcio Burguinha, que trocou o MDB pelo PSDB, supostamente afirma a sua secretária que a criação de um órgão municipal do PSDB na cidade renderia repasse de R$ 2 milhões para obras de rodovias. Procurado, Burguinha não atendeu à reportagem.

A investigação no Ministério Público não avançou. Segundo dados da Secretaria da Fazenda, a verba liberada por Doria para obras de recapeamento em Chavantes foi cerca de R$ 285 mil em 2019 e 2020.

Vinholi rechaça a acusação e diz que o PSDB atraiu mais prefeitos por ser o maior partido no estado, com “estrutura forte” e posicionamento claro “sobre nossa proposta de trabalho para os próximos anos e sobre os valores nos quais acreditamos”.

O secretário também atribui o crescimento ao fato de o PSDB ter como maior atributo o governador Doria e pela “confiança que os prefeitos têm na sua gestão”.

“No mesmo período, de 2017 a 2020, nove prefeitos deixaram o PSDB, alguns expulsos por terem apoiado França na eleição de 2018, como os gestores de Patrocínio Paulista, Artur Nogueira e Fartura.

Em Fartura, o candidato do PSDB no pleito deste ano será Luciano Filé, ex-presidente do partido no município e que até junho exercia cargo de diretor-regional na secretaria comandada por Vinholi.

Entre as cidades agora comandadas por tucanos as mais importantes são Bauru, Presidente Prudente e Carapicuíba, pelo número de habitantes e protagonismo regional.

O prefeito de Presidente Prudente, Nelson Bugalho, que concorre à reeleição, diz ter recebido o convite para voltar ao PSDB, onde já esteve filiado no passado, de Doria e de outros amigos que estão na administração estadual.

“Esse convite foi feito no início do ano passado. Depois de ponderar, acabei fazendo essa opção. Não que eu não estivesse bem no PTB, eu estava, mas eu me identifico com a ideologia partidária do PSDB.”

Bugalho afirma que o município não recebeu mais verbas por causa da filiação e que esteve com Doria em São Paulo e cerca de três ocasiões em que o governador viajou à região. Em uma delas, em abril de 2019, o tucano inaugurou um batalhão da PM e almoçou com o prefeito, segundo sua agenda oficial.

Segundo o TSE, Bugalho assinou a filiação em janeiro deste ano. No mês seguinte, Doria esteve em Presidente Prudente para entregar novos leitos e equipamentos ao Hospital Regional e liberar R$ 1 milhão para o primeiro restaurante Bom Prato da cidade.

O prefeito de Bauru, Clodoaldo Gazzetta, diz ter sido convidado ao PSDB no meio do ano passado pelo ex-deputado Pedro Tobias (PSDB) e que o convite foi chancelado por João Doria. A filiação ocorreu no mês de dezembro.

Segundo o diretório municipal do PSDB na cidade, o convite foi articulado primeiro no nível estadual e, depois, houve a consulta a tucanos do município.

Gazzetta, que concorre à reeleição, também afirma que não conseguiu mais recursos de Doria em comparação com os antecessores, Márcio França (PSB) e o também tucano Geraldo Alckmin.

Ele diz que a cidade aguarda verba para a construção do mercado municipal e que recebeu apenas metade do que solicitou para obras de recapeamento.

Em Bauru, Doria já fez inaugurações de equipamentos para hospital e anunciou uma espécie de Poupatempo regional e um investimento privado de R$ 7,5 bilhões na expansão de uma fábrica de celulose da região.

Segundo Vinholi, as visitas de Doria aos municípios não se confundem com o processo de filiação. “O governador João Doria administra o governo de São Paulo e atrai prefeitos pela sua postura e pelas suas ações. O papel de discutir filiações e concretiza-las é do partido.”