(Foto: Divulgação)

Ele é a voz que há 29 anos ecoa pelo Sambódromo nas Quartas-feiras de Cinzas, alastrando agonia ou euforia enquanto lê as notas dadas por cada jurado às escolas de samba do Rio, até que se conheça o campeão de mais um carnaval.

Lê, não: Jorge Perlingeiro interpreta. “Aquilo é um espetáculo. Se fosse só para ler, não precisavam de mim”, diz o apresentador veterano do carnaval.

O retumbante “Dez, nota dez”, originalmente cunhado pelo produtor Carlos Imperial, ficou famoso Brasil afora na sua voz, e lhe rendeu reconhecimento oficial da prefeitura do Rio.

Em 2015, decreto assinado pelo então prefeito Eduardo Paes considerou a expressão, “na voz e no modo de falar de Jorge Perlingeiro”, “potencialmente um dos principais e mais tradicionais ‘Monumentos Linguísticos’ do Carnaval Carioca”, incluindo-a no chamado “Cadastro do Modo de Falar Carioca”.

Nascido no Rio de Janeiro há 74 anos, “mas com corpinho de 73”, Perlingeiro tem quase 50 carnavais nas costas – e décadas de experiência como apresentador de TV, onde também popularizou o bordão “só se for agora”. Começou a se aproximar do universo do samba atuando como jovem repórter responsável pela cobertura carnavalesca na extinta TV Tupi.

Seu papel no Sambódromo vai muito além da apuração. Sócio benemérito da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio (Liesa), ele é coordenador geral dos desfiles no Sambódromo, responsável por colocar todas as escolas para dentro da avenida – o que envolve abrir e fechar os portões, tocar a sirene, controlar o cronômetro, preparar a entrada da próxima escola. “Tudo passa por mim”, afirma. Tanto que todo ano, na sexta-feira de carnaval, ele se muda, literalmente, para a Marquês de Sapucaí, e fica “morando” em um contêiner” durante todos os dias de festa, até terça-feira.

Mas Perlingeiro sabe que a Quarta-feira de Cinzas, quando se senta à mesa montada sob os arcos do Sambódromo, é o seu momento nos holofotes. “Igual a mim não tem ninguém. Eu sou móveis e utensílios do carnaval”, brinca.

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