Seja pela indisponibilidade da dose certa na farmácia ou uma tentativa de fazer o medicamento render um pouco mais, cortar comprimidos pela metade pode trazer riscos à saúde. A prática não apenas deixa de garantir uma proporção igual do princípio ativo do remédio nas duas partes, mas também pode interferir no tratamento do paciente.

Na hora de tomar remédio, eu posso cortar os comprimidos pela metade?
Foto: Myke Sena / Metrópoles

“O medicamento é uma mistura do princípio ativo (substância responsável pelo efeito do remédio) com outros excipientes (ingredientes) farmacêuticos. Isso tudo é misturado e prensado. Por isso, não é possível garantir que a metade direita e a metade esquerda tenham a mesma quantidade”, explica Leonardo Pereira, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP)

Pesquisadores da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) chegaram a mesma conclusão ao testar o medicamento hidroclorotiazida – diurético indicado para o tratamento de hipertensão– e analisar as consequências de cortar o comprimido em pedaços. Após testar cerca de 750 pílulas, os autores do estudo identificaram discrepâncias nas partes divididas.

“A avaliação do processo de partição apresentou diferenças significativas na uniformidade de massa e de conteúdo, verificando-se que há grande variação de teor. Considerando que a hipertensão é uma doença grave e que requer esquema posológico rígido, variações na dosagem podem influenciar significativamente no tratamento do hipertenso”, destacam os pesquisadores no artigo publicado na Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada.

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