Ao arranjar polêmica na semana passada dizendo que crianças com deficiências “atrapalham” os demais alunos quando coabitam a mesma sala de aula, o ministro da Educação Milton Ribeiro tentou se explicar nesta terça-feira (24) em entrevista a Jovem Pan. O chefe da pasta é crítico das atuais diretrizes do processo de inclusão na educação do País.
Milton se desculpou por usar a palavra atrapalhar e disse que se referia a 12% das crianças de escolas públicas que têm uma deficiência e, nas palavras dele, “um limite para convívio em sala de aula”. Segundo o ministro, a sua pasta não trabalhar de maneira “inclusivista”.
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De acordo com a pedagoga e professora da Escola de Educação e Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Evelise Maria Labatut Portilho, considera que mudanças de mentalidade por parte dos representantes não são fáceis de acontecer. Na visão dela, a inclusão não pode ser apenas algo que está na lei. “Ela precisa ser incorporada em nossas atitudes”, diz.
“Nós ainda não estamos preparados, nem como pessoas para o acolhimento ao diferente como também em termos de preparação da instituição para o acolhimento e atendimento. É para que essas crianças se sintam pertencentes ao espaço aonde elas estejam”, afirma
Para a pedagoga, a sociedade ainda precisa trabalhar muito a questão do aceitar quem pensa de forma diferente. Evelise é especialista em aprendizagem e destaca que o grande desafio na formação dos profissionais da área é avaliar como funciona esse processo de aprender no dia a dia.
Formação dos professores

De acordo com Evelise, existe uma proposta de co-participação dos professores em sala de aula com crianças especiais. A ideia é ter um professor regente junto a outro especialista na inclusão para um determinado aluno em sala de aula. No entanto, o objetivo não é que o professor atenda apenas a uma criança, mas sim que faça parte de todo o trabalho de aprendizado.
“Precisamos ter formação continuada para os docentes, porque a escola devido à lei colocou as crianças na sala de aula, mas o professor não consegue dar conta disso por ele mesmo não ter a preparação, recursos ou instrumentos para tal”, explica
A pedagoga afirma que as ideias de como melhorar o aprendizado tem surgido, contudo, elas ainda não foram colocadas em prática e são mínimas em comparação ao tamanho do desafio que a educação enfrenta.
Quando se trata de inclusão, Evelise destaca que os professores são pouco ouvidos pelas autoridades. Para ela, é preciso um reconhecimento sobre o trabalho que está sendo feito pelos docentes. “Você não está fazendo inclusão por simplesmente acolher em sala de aula”, diz.
Na visão dela, as escolas precisam pensar em uma forma melhor de promover uma formação continuada para os seus professores. Além disso, os estabelecimentos de ensino precisam fazer isso de acordo com as próprias realidades.
“Na pandemia, as crianças vão vir com mais diferenças de aprendizado. Não é simplesmente recuperar conteúdo, aprendizagem é processual e deve acontecer sempre. Então como trabalhar com aquele novo aluno que eu tenho? Esse é o grande desafio”, afirma
Escolas e salas especiais

A fala do ministro Milton Ribeiro reacendeu a discussão sobre a nova Política Nacional de Educação Especial (PNEE) — política pública do Ministério da Educação que tem como norte o incentivo à matrícula de pessoas com deficiência em escolas específicas para crianças especiais.
Em relação as escolas especiais, o Paraná é um dos poucos estados que ainda conta com colégios que são próprios para essa finalidade. Segundo o MEC, são 415 escolas em todo o terrítorio estadual. Para Evelise, esses locais ajudam a cumprir com a finalidade de acolhimento das crianças. No entanto, ela acredita que salas especiais podem se tornar um novo ambiente de segregação, algo que tem sido negado pelo ministro Milton.
“A lei da inclusão é para que essas crianças se sintam em um ambiente diverso e não desigual e tenham contato com crianças que tem desenvolvimento dentro do esperado. É para que seja uma forma de estímulo”, afirma
O que os pais podem fazer?

Evelise ressalta que os pais nunca vão ter a garantia de que os filhos vão receber tratamento digno nas escolas. No caso, o estado e as redes particulares de ensino precisariam pensar em outra estrutura que garantisse dignidade para as crianças. No entanto, ela destaca que um trabalho conjunto em específico precisa sempre ser realizado. “A parceria entre escolas e família é que deveria ser fundamental”, diz.
A ideia é que tudo seja feito de forma a não cobrar de maneira excessiva nenhuma das partes. A escola precisa ser um ambiente motivador e acolhedor para aquela criança e a família também deve contribuir com o aprendizado do jovem. “Acredito em um movimento de parceria e de diálogo”, afirma
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