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Não é segredo para ninguém que o mundo passa por um momento difícil em razão da Covid-19. Só que além da própria doença, famílias sofrem com dívidas, desemprego e outras preocupações do dia a dia. Com um nível de ansiedade mais elevado, muitas pessoas recorrem à comida como recompensa ou conforto para aliviar tensões. Essa é a chamada fome emocional.
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No entanto, existem pessoas que reagem de forma contrária e passam a rejeitar comida quando estão com emoções negativas. Um exemplo disso é o da apresentadora Tatá Werneck, cujo relato é de que chegou a pesar 40 kg ao vivenciar o luto pela morte do ator Paulo Gustavo, vítima da Covid-19. Os dois eram amigos próximos. Devido ao emagrecimento, Tatá foi parabenizada por internautas nas redes sociais.

Após os elogios, ela chegou até a desabafar nas redes sociais. “É muito doido pensar que alguém vê uma pessoa magra, que está deprimida, e fala: ‘Está ótima’. Ótimo é estar saudável”, escreveu a atriz. O caso de Tatá não é único, Bruna Marquezine também já sofreu com o problema ao terminar com Neymar. A atriz foi criticada nas redes sociais por estar mais magra.
De acordo com a nutricionista clínica Drta Livia Hartmann, o “padrão de corpo perfeito” não existe. A especialista acredita que a beleza de um corpo precisa ser definida pela própria pessoa, que deve se sentir confortável com a sua forma física. Afinal, a decisão de fazer mudanças no corpo precisa ser individual.
“Cada um tem uma anatomia específica, um tipo de corpo e que tem que ser respeitado. Enquanto a sociedade ver um corpo magro como belo vamos continuar tendo esses problemas”, diz
Segundo ela, os ataques virtuais em relação a forma física podem ser tão prejudiciais quanto as ações presenciais. “Ninguém sabe pelo que aquela pessoa passou, é o gatilho! É uma cobrança que aquela pessoa não precisa ter”, ressalta.
Problemas mais sérios

De acordo com a nutricionista, períodos de tristeza podem ocasionar momentaneamente mudanças na alimentação, o que resulta em ganho ou perda de peso. Segundo ela, os motivos que levam pessoas a reagir de forma diferente estão relacionados a fisiologia, alterações hormonais e psicológicas. “Algumas pessoas veem a comida como um afago”, diz
A especialista afirma que a alteração na alimentação não pode persistir por mais de duas semanas. Depois desse período, é necessário procurar atendimento além de buscar uma rede familiar (família e amigos) de apoio. Segundo ela, é preciso que profissionais da medicina, endocrinologia, psicologia e nutrição trabalhem em conjunto.
“Se vem acompanhado de fraqueza, mal-estar e negação do que está sentindo, isso pode ser retratado como um problema”, explica
Livia acrescenta que cada pessoa precisa saber lidar com os próprios sentimentos. Para que no momento em que os controlar, possa regular a alimentação com muito mais facilidade. Todas essas ações servem para evitar o desenvolvimento de transtornos como bulimia e anorexia.
Existe um emagrecimento saudável e não saudável?

Livia explica que o emagrecimento só é sinônimo de saúde quando a origem da perda de peso está relacionada a um trabalho orientado por um profissional de saúde qualificado. “As pessoas falam que ser magro é sinônimo de saúde, riqueza e bem-estar. Não é bem assim”, diz.
A especialista afirma que fatores psicológicos influenciam diretamente na alimentação, como é o caso de Tatá Werneck, que desenvolveu depressão após a perda de um grande amigo. Bruna Marquezine teve um comportamento similar, ela se afastou da alimentação de maneira inconsciente para lidar com sentimentos negativos.
Rede de apoio

A nutricionista acredita que o ato de falar com alguém pode ser libertador para quem está passando por problemas emocionais e alimentares. Segundo ela, o tratamento de alguém que está passando por isso se torna muito mais fácil quando se tem em quem confiar. “A ideia é se sentir confortável para falar com alguém sem ser julgado”, diz.
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