A expansão do coronavírus contribuiu para que 63 milhões de brasileiros ficassem com as contas vermelhas. Os dados são do Serasa Experian e contabilizam números até maio de 2021. O problema afeta a economia como um todo, já que muitas pessoas estão impedidas de fazer contratações por crédito ou compras parceladas.
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Desde janeiro deste ano, o Brasil acumulou mais 1,6 milhão de pessoas que deixaram de pagar dívidas. O número preocupa e a tendência é que nada disso seja resolvido a curto prazo. De acordo com o doutor em economia, sócio da Valuup Consultoria e professor da Universidade Positivo (UP), Lucas Dezordi, uma consequências da pandemia é o fato de muitas pessoas estarem jogando suas obrigações para o futuro. Seja algo a curto prazo ou longo.
Lucas afirma que o endividamento em todas as esferas é uma tendência mundial, afetando principalmente as famílias brasileiras. No caso, isso pesa muito mais para os trabalhadores e empresas, que precisam ter uma atenção especial tanto do sistema financeiro da iniciativa privada quanto do Governo Federal.
“Enfrentar essas paralisações que a gente teve como o lockdown, prejudicou muito a receita e a renda desses trabalhadores. O que gerou infelizmente um maior nível de desigualdade já que alguns setores cresceram”, diz
Controle do orçamento

Lucas avalia que as famílias precisam ter um controle de entradas e saídas de recursos para evitar de ter que postergar compromissos financeiros. ”Se as empresas tem uma lógica de controle do orçamento, o governo tem, porque as famílias não podem ter”, diz. O especialista acrescenta que esse planejamento precisa ser levantado mês a mês, por semestre e anualmente.
Segundo ele, as famílias precisam conversar entre seus membros sobre a capacidade dos gastos que cada um tem ao longo do mês. A ideia é não ter a preocupação de ir até o banco para renegociar dívidas. Em muitos casos, os bancos fornecem uma condição para que as famílias consigam durante a renegociação, encaixar o parcelamento mensal dentro do orçamento.
“Não deixe a sua dívida na gaveta, busque com seu banco uma renegociação e um planejamento financeiro”, destaca
O economista ressalta que o controle financeiro é ainda mais fundamental em tempos de pandemia até por conta do aumento de tarifas como a de energia elétrica e de gastos com saúde. Com isso, para definir prioridades no orçamento, é preciso saber quanto está gastando em cada um dos setores. “É importante que as famílias tenham esse controle”, afirma.
O especialista ainda aconselha que as famílias que tem o hábito de pagar as contas com cartão de crédito precisam controlar a fatura para verificar se não estão gastando além do limite. Acima de tudo, o planejamento financeiro constante vai facilitar possíveis gastos emergenciais. Afinal, em tempos de imprevisibilidade econômica, despesas não planejadas podem acontecer.
Bancos e o acesso ao crédito

Lucas destaca que alguns bancos tem oferecido cartões específicos para famílias com situação financeira mais delicada. Um exemplo foi o Nubank que com o argumento de democratizar o acesso ao crédito, anunciou uma nova modalidade de cartão em fevereiro deste ano, com foco em pessoas com o nome sujo. A ferramenta permite que o cliente faça compras e assinaturas on-line, ou em qualquer tipo de estabelecimento físico, além da possibilidade de parcelar as transações.
O professor ressalta que o limite vai crescendo conforme o histórico mensal do consumidor. Por um lado, o especialista destaca que a quantidade de ofertas e competitividade no mercado é um aspecto positivo. No entanto, esses casos vão exigir um controle maior da população. Esses recursos novos vão servir para equilibrar o orçamento e reduzir custos, contudo, os juros podem ser maiores.
“A gente vê fintechs (empresas que trabalham com finanças e tecnologia) oferecendo cartões não regulares com juros de 11,6% ao mês e que dá 275% ao ano”, diz
Com isso, esse crédito pode ser recebido por pessoas que conseguem demonstrar ter bom histórico financeiro. A ideia é ter oportunidade de melhorar as próprias finanças.
Como o governo está combatendo o problema?

Em resposta a questionamentos do Portal Metrópoles, o Banco Central citou que o Governo Federal está tomando medidas para ajudar brasileiros a saírem do endividamento. A primeira é o Programa Emergencial de Suporte a Empregos (Pese), que é destinado para pequenas e médias empresas pagarem salários diante da pandemia da Covid-19, como se fosse um financiamento. Os juros fixados são de 3,75% ao ano (menor que a inflação), com carência de seis meses e prazo de 36 meses para o pagamento.
“Se você é um empresário que se encaixa nesse ramo converse com seu contador sobre esse financiamento, que é muito bom”, diz Lucas Dezordi
De acordo com o professor, o programa Peac Maquininhas, que é uma modalidade de crédito garantido por vendas com máquinas de pagamento digital para microempreendedores individuais (MEIs) e micro e pequenas empresas ainda é uma medida um pouco mais paliativa.
Além disso, outro programa que o governo quer criar é o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), cuja finalidade é oferecer crédito para esses estabelecimentos, o programa possibilita o investimento ou o custeio das despesas operacionais. Para o doutor em economia, as medidas do governo ajudam mas não resolvem o problema.
“Eu vejo mais dificuldades em manter um quadro de emprego, eu queria ver mais programas para sustentar a questão do emprego”, afirma
Lucas destaca que com esses programas por si só, não é possível melhorar a situação desses setores mais afetados pela pandemia. Segundo ele, isso vai ocorrer com a retomada da economia com o avanço da vacinação contra a Covid-19. “A vacinação é chave para a retomada da economia”, diz.
Para o especialista, o retorno do setor de serviços que representa 60% da economia é o que vai criar melhores condições no mercado de trabalho. “O auxílio emergencial tem que continuar para manter renda mínima ao cidadão, principalmente para as famílias mais vulneráveis”, ressalta.
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