(Geraldo Bubniak/AGB)

O infectologista Jaime Rocha, vice-presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia (SBI) e que auxilia o Coritiba no protocolo médico, acredita que a cidade de Curitiba vive uma situação favorável para o retorno dos treinamentos dos times de futebol. Entretanto, ele alerta que será necessário dividir a volta em fases antes de disputar qualquer partida em âmbito local.

“Os clubes têm que ter protocolos adequados e temos que entender que vamos trabalhar com fases diferentes. Primeiro, tem que ver se a cidade tem condição. Curitiba tem condição por viver um momento mais favorável. Segundo, não é para voltar com jogos direto, mas para retomar atividades físicas, treinos sem bola e sem grandes proximidades dos atletas. Isso a gente chama de fase 1. Vencida essa fase e o momento do país e da cidade continuar favorável, a gente pode ir para a fase 2 com treinos em pequenos grupos. Se continuar bem, a gente pode discutir a fase 3 com a retomada de jogos muito mais local. Em termos de país, isso não é possível discutir no momento”, explicou Rocha, em entrevista à Banda B.

O médico ainda ressaltou que os testes rápidos demoram para detectar o novo coronavírus por pesquisar apenas os anticorpos e comentou sobre a periodicidade que jogadores e membros das comissões técnicas terão que ser testados em cada fase. “As pessoas têm colocado muita fé nos testes rápidos, que fura o dedo e vê o resultado, e esses testes não servem para esse momento. Esses testes não pesquisam vírus, mas anticorpos. Esses testes só vão positivar a partir do 10º dia, principalmente, e nesta fase talvez a pessoa nem tenha mais o vírus. Você tem que fazer o teste de pessoas sintomáticas com a pesquisa de vírus. Os testes sorológicos e os testes rápidos têm uma outra função e uma outra utilidade que não seria exatamente essa”, ressaltou.

“A periodicidade vai depender em que momento você vai tiver na retomada. É um momento somente de treinamento físico? A necessidade é somente testar familiares, atletas ou pessoas ligadas a federação que estejam sintomáticas. A segunda fase com treinos com bola já começa a testagem em pequenos grupos. Você começa a falar em uma terceira fase com jogos com portões fechados, sem a presença das multidões, porque as aglomerações não são possíveis no momento, cabe a testagem dos times antes dos jogos para ter uma maior segurança para os dois times”, acrescentou.

O infectologista também ressaltou que os atletas precisam ser porta-voz para os torcedores e destacou que os jogos terão que acontecer, em um primeiro momento, com portões fechados. “Os atletas têm que ser um promotor da saúde e falarem para todos os seus seguidores. Eles têm que falar sobre doações, uso adequado de máscara e distanciamento. Não é apenas na hora do jogo, mas durante a vida como um todo por este momento que estamos passando”, falou.

“Durante o treino, os times têm que ter protocolos claros de quem entra por qual portão, quantos atletas estão presentes em cada ambiente por momento para que evite as aglomerações. O vestiário pode eventualmente ser abandonado, conforme a estrutura do clube. Isso vai depender de clube a clube. Estamos falando de uma situação que não é possível generalizações, tem que ser feita adaptações para cada realidade”, complementou.

Independente da data do retorno, o vice-presidente da SBI ressaltou que qualquer decisão precisa tomada “com muita calma” e sem levar em consideração “paixões econômicas ou do futebol”. “Única orientação é que os times, as secretárias sigam conversando e que a gente faça isso de uma forma estruturada, com muita calma, com muita ciência e sem grandes paixões econômicas ou do futebol. Que isso seja feito de uma transparente e científica”, finalizou.

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Infectologista que auxilia o Coritiba esclarece dúvidas sobre possível retorno dos treinamentos

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