Coritiba repudia violência e dupla Athletiba concorda com torcida única
Coritiba lamentou violência e defende torcida única no Athletiba. Foto: Divulgação/Coritiba

O Coritiba divulgou nota na manhã desta segunda-feira (13), manifestando o seu repúdio às cenas de violência ocorridas nos arredores do Estádio Couto Pereira, na noite deste domingo (12), onde jogavam o Coxa e o Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro.

A direção alviverde lamentou os fatos, que terminaram com um número incerto de feridos, muitas pessoas passando mal com os efeitos das bombas de efeito moral e gás de pimenta, e um torcedor palmeirense morto no hospital (a morte não teria ligação com a briga).

“Conforme informações das autoridades policiais, os fatos aconteceram integralmente fora do estádio, quando torcedores de uma das torcidas organizadas do Palmeiras tentaram invadir as dependências do Couto Pereira, com o jogo já no segundo tempo. Para dispersar os torcedores, a Polícia Militar precisou se valer do uso de spray de pimenta que acabou, por consequência, sendo percebido dentro do estádio. O clube manifesta sua total reprovação e lamenta profundamente os fatos ocorridos e a crescente escalada da violência entre torcidas organizadas em várias cidades pelo país”, informou a nota do Coritiba.

Também na manhã desta segunda-feira, o delegado Luiz Carlos de Oliveira, responsável pela Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos (Demafe), explicou como a briga nos arredores do estádio se desenrolou, defendendo mais uma vez a adoção da torcida única nos estádios. Segundo ele, a medida deve ser adotada no próximo domingo (19), no Athletiba.

Em contato com a reportagem da Rádio Banda B, dirigentes de Coritiba e Athletico se disseram favoráveis à torcida única, tanto no clássico do próximo domingo, no Alto da Glória, como o do segundo turno, na Arena da Baixada. A medida valeu nos dois jogos entre os times nas semifinais do Campeonato Paranaense, após as cenas de violência do Athletiba da primeira fase.

Organizada do Alviverde paulista se manifesta

Apontada como participante na confusão com torcedores do Coritiba, a Mancha Alviverde divulgou uma nota de repúdio, endereçada à Polícia Militar do Paraná. De acordo com a principal organizada do Palmeiras, a corporação foi notificada da vinda de sete ônibus de São Paulo, e que todos os torcedores tinham ingressos para o jogo.

“A nossa parte apalavrada foi feita, chegamos no último pedágio no horário marcado e a partir dali começou o despreparo da PM. Pouco efetivo policial para a revista dos 7 ônibus, ou seja, 350 torcedores ficaram horas parados na estrada sem poder comer ou ir ao banheiro. A demora na revista atrasou a saída dos ônibus para o estádio. A PM conseguiu errar o caminho para o estádio por duas vezes atrasando ainda mais a nossa chegada. Os próprios motoristas dos nossos ônibus estranharam o caminho feito, já que estiveram dias atrás trazendo outra torcida de SP para o mesmo estádio e o caminho foi outro”, explicou.

“A primeira ainda foi possível manobrar com uma certa dificuldade e a sorte é que estávamos distantes do estádio. A segunda vez foi algo que nem um escoteiro faz. Era nítido que o policial estava perdido e entrou com sete ônibus em uma rua estreita, com carros dos dois lados, próximo ao estádio e com movimentação de torcedores do Coritiba. O comandante da escolta parou para perguntar aonde era a entrada e explicaram que estávamos do lado errado”, prosseguiu.

“PMs amadores”

A nota diz ainda que “esse mesmo comandante pediu para os ônibus voltarem de ré e nesse momento a torcida do time mandante apareceu e começaram a jogar pedras. Esses foram os fatos e as imagens que todos viram foram os ATOS. E o nosso ATO foi a própria proteção. Descemos dos ônibus para não sermos apedrejados. Assim como no futebol, em situações de perigo você se defende atacando. Mesmo em menor número foi possível controlar a situação e auto defender os nossos torcedores”.

“A tal da escolta de pouco efetivo, quando houve o primeiro ataque da torcida rival sumiu e, depois de alguns minutos que tivemos que controlar a situação, chegou o ‘reforço’ policial ainda mais despreparado e dando tiro de borrachas sem uso de critério para controle de multidões e soltando bombas de gás lacrimogêneo em uma quantidade surreal (que deu para sentir até dentro do gramado)”, acrescentou a nota.

A organizada palmeirenses ainda ironizou a PM-PR (“como sugestão indicamos o 2. Batalhão de Choque do Estado de SP para ministrar treinamento ao Comando da PM do Paraná”) e destacou que “aconteceu o que tinha que acontecer para evitar um massacre”.

“Não aceitamos mentiras que foram divulgadas como ‘estavam sem ingressos e tentaram invadir o estádio’, ‘tentaram invadir a sede de outra torcida’. O despreparo de quem deveria proteger a população não pode ser negligenciado e virar cortina de fumaça pelo histórico de organizadas. Não saímos de SP com cada um pagando R$ 130,00 de passagem e R$ 200,00 de ingresso, com muitas mulheres e crianças em nossos ônibus para não entrar no jogo, invadir sede e brigar. Também não saímos de SP para sermos mal-tratados por PMs amadores, que nos jogaram em uma cilada para sermos apedrejados e massacrados dentro de ônibus. Saímos de SP para ver o jogo e como não deixaram, saímos dos ônibus para defender as nossas vidas, nossas mulheres e crianças. E assim, foi o que de fato aconteceu!”, concluiu.

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