Justiça autoriza e Coritiba empresta R$ 30 mi para ‘despesas operacionais’
Coritiba solicitou um novo empréstimo para manter as contas em dia. Foto: Divulgação/Coritiba

Em uma semana em que a Fifa impôs um transfer ban ao Coritiba, a diretoria alviverde teve de atuar em outra frente que envolve os cofres do clube. Por meio dos seus advogados, o Coxa solicitou e foi autorizado a emprestar R$ 30 milhões para “despesas operacionais”, o que significa manter as contas em dia.

O Verdão receberá o valor do banco BMP Money Plus, que por sua vez terá como garantia a posse de 20% das ações da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do clube, além da receita do programa de sócio torcedor do clube, que hoje conta com mais de 40 mil associados. O Coritiba tem 12 meses para quitar o valor total.

No pedido feito em maio à 2ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, os representantes do clube apontam que “mesmo que o clube esteja diante de uma boa perspectiva desportiva para o ano de 2022, alcançar os resultados que lhe permitirão se manter competitivo somente será possível acaso promova a equalização de suas dívidas e sua reorganização econômico-financeira, mormente o suporte a sua integral operação até a efetiva aprovação do PRJ pela AGC”.

“É o que se pretende com o presente procedimento recuperacional. Em complemento, afigura-se de extrema importância a injeção de capital (fresh money) que possibilite superar o momentâneo estado de crise de liquidez e suprir a falta de fluxo de caixa para arcar com as despesas operacionais e correntes durante o interregno do processamento da recuperação judicial, consoante se passa a demonstrar”, acrescentaram os advogados.

A juíza Luciane Pereira Ramos, que cuida do processo interposto em março deste ano de recuperação judicial, acatou as argumentações do Coritiba e permitiu o empréstimo.

“A empresa está em crise e este é um fato indiscutível, já que se socorreu desta recuperação judicial para a manutenção de suas atividades e dos postos de emprego. Logo, é lógica a necessidade de novos aportes financeiros, os quais se mostram benéficos para que a recuperanda possa suportar os gastos do clube e os provenientes deste processo”, explicou a magistrada ao conceder o pedido coritibano.

Fim do transfer ban

Estima-se que parte do dinheiro emprestado seja usado pelo Coxa para quitar os débitos com o atacante argentino Ezequiel Cerruti, que jogou no Alto da Glória entre 2020 e 2021. Ele foi à Fifa cobrar R$ 401 mil do clube, e a entidade máxima do futebol aplicou o chamado transfer ban, medida que impede o registro de novos atletas.

Em nota oficial, o Coritiba destacou que “dentro do projeto de reestruturação de sua dívida histórica, firmou acordo com a XP Investimentos, para obtenção de Linha de Crédito de até 30 milhões de reais, para assegurar seu fluxo de caixa positivo em 2022 e 2023, visando garantir financeiramente, tanto sua competitividade esportiva, quanto o cumprimento dos termos e condições exigidos pela Recuperação Judicial – RJ”.

“Todos os documentos e termos do Contrato estão à disposição do Conselho Fiscal e do Conselho Deliberativo do Coritiba”, concluiu o comunicado do clube.

À Banda B, o vice-presidente coxa-branca Glenn Stenger afirmou que a resolução do transfer ban só dependia da autorização judicial, e assim deve ser equacionado até o fim desta semana. A declaração, porém, pode cair por terra, caso a Justiça aceite a reclamação do ex-jogador do clube Rafinha, revelada nesta semana. A reportagem entrou em contato com o atleta, mas ainda não obteve retorno.

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