O Athletico dará na próxima quinta-feira (9) mais um passo para a constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Foi marcada para esta data uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do clube, sendo a SAF o principal assunto do encontro. Mas também será tratado sobre outro assunto quente, a tentativa da construção de uma liga do futebol brasileiro.
A SAF do Athletico foi aprovada ainda em novembro de 2021, quando o assunto não estava tão em evidência quanto agora. À época, o presidente Mário Celso Petraglia afirmou que o Furacão se transformaria na empresa de futebol mais valorizada do País.
“Uma vez aprovado e buscados os recursos que o mercado está oferecendo, seremos a noivinha mais bonita do mercado brasileiro“.
Mário Celso Petraglia, presidente do Athletico
O “Furacão S/A”, nome dado nos primórdios da discussão sobre clube-empresa, é um sonho de Petraglia há muitos anos. O Athletico já tinha seu projeto pronto em 2018, mas as mudanças da legislação, do mercado do futebol e a adoção da Lei das SAF alteraram os planos. “Precisamos virar S/A. Primeiro para o crescimento do futebol brasileiro e a redução da dependência da televisão. Segundo para que tenhamos capital para manter os salários dos jogadores no nível que o futebol tem no mundo”, afirmou Petraglia há quatro anos.
100% do Athletico
A proposta aprovada pelos sócios em 2021 diz que o Athletico terá 100% da SAF na sua criação. A reunião do conselho na próxima semana vai autorizar a criação da empresa – com Petraglia tendo controle sobre praticamente todos os conselheiros, o pedido de autorização é apenas uma formalidade.
A partir daí, o Athletico irá gerir o futebol através da SAF. Na prática, para o torcedor, a mudança é pouca, porque o Furacão já tem uma gestão profissional e centralizada em Petraglia. O que acontece é que a SAF será o ponto de partida para a busca por um investidor que seja parceiro do Rubro-Negro.
O plano traçado pela diretoria do Athletico não pensa em um sócio majoritário, como acontece em Vasco, Bahia, Botafogo e Cruzeiro. O ‘mundo ideal’ seria um parceiro com no máximo 49% do controle, portanto sem poder de decisão ante a superioridade do Furacão na SAF. Essa ideia foi confirmada por Alexandre Mattos, CEO de Negócios de Futebol e Áreas Nacional e Internacional, em entrevista ao Furacão Live. E o aporte desse investidor minoritário era avaliado internamente, em meados do ano passado, em R$ 1,5 bilhão.
Liga Forte Futebol
O segundo assunto da reunião do Conselho Deliberativo do Athletico é a adesão oficial do clube à Liga Forte Futebol, que busca a formação da liga do futebol brasileiro. Os conselheiros vão deliberar sobre a cessão de “seus direitos comerciais, de transmissão e outros ainda a serem definidos, pelo prazo de 50 anos, sobre o principal campeonato brasileiro de futebol“, como diz a pauta da reunião.
A LFF disputa com a Libra o controle do futuro do Brasileirão. Sem acordo até agora, as duas partes tentam parceiros comerciais que invistam um alto valor para a gestão do campeonato. A Forte Futebol discutiu nesta semana a proposta da Serengeti Asset Management, fundo de investimentos norte-americano, de R$ 4,85 bilhões por 20% da possível liga a ser formada. Para isto, no entanto, seria necessário que a LFF conseguisse reunir 36 clubes para fechar duas divisões. Neste momento, o grupo reúne 26, entre eles Athletico, Coritiba, Londrina e Operário.
Mina de ouro
A grande discussão entre as ligas é a divisão dos valores de direitos de transmissão. A Libra, quer uma repartição que valorize o tamanho das torcidas, o que daria amplas vantagens a Flamengo e Corinthians, os principais articuladores do grupo. Na LFF, é dado maior peso ao rendimento técnico, o que pregam Fluminense, Atlético-MG, Internacional e o Athletico. Mário Celso Petraglia é um dos líderes da Forte Futebol, e já teve pesadas discussões com os presidentes de Flamengo e Bahia, que estão na liga ‘rival’.
Botafogo, Vasco e Cruzeiro articulam um tratado de paz entre os grupos, mas até agora as partes não sentaram para buscar pontos comuns. Uma das parceiras da Forte Futebol é a Livemode, empresa que hoje é parceira da Fifa na gestão de direitos de transmissão e que está ligada ao Athletico desde o acordo com o Esporte Interativo pelo Brasileirão. Os antigos executivos do EI hoje são os donos do Livemode, que tem o streamer Casimiro Miguel como seu grande trunfo para uma disputa com o Grupo Globo na internet.

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