Oito meses e sete dias. O Athletico viveu tanta coisa entre 10 de fevereiro e 17 de outubro. Teve quatro técnicos (e um interino), venceu o Campeonato Paranaense, chegou às primeiras posições do Brasileirão, depois foi caindo sem parar, foi eliminado nas quartas de final da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. Um dólar custava R$ 4,97 em fevereiro, e subiu a R$ 5,67 em outubro. O mundo praticamente virou do avesso. E neste tempo todo Lucas Belezi não entrou em campo.
Se não jogar já era um sofrimento, imagine então sequer ser relacionado para as partidas. Lucas Belezi não ficou nem no banco por quatro meses. Sempre considerado ‘dispensável’ pelo departamento de futebol do Athletico, esquecido por Juan Carlos Osorio, Cuca e Martín Varini, o zagueiro ficou numa “geladeira” por exatos oito meses e sete dias. Voltou a atuar pelo Furacão na trágica derrota para o Corinthians por 5×1. Foi tachado como insuficiente para defender a camisa rubro-negra.
Mas o Athletico estava sem zagueiros – ou era Gamarra, ou Thiago Heleno, ou Kaique Rocha que se machucavam ou estavam suspensos. Lucas Belezi jogou cinco dos últimos sete jogos do Furacão. E agora, no final de novembro, o que poderia ter sido uma temporada de pesadelo virou do avesso – como o mundo nos oito meses de geladeira. O zagueiro foi destaque do time nas vitórias sobre Atlético-MG e Atlético-GO, e hoje se questiona por que ele ficou tanto tempo desprezado no CT do Caju.
A reviravolta no Athletico
“Passei por momentos difíceis este ano”, confessou Lucas Belezi. “Mas me mantive trabalhando sabendo que uma hora as coisas ia acontecer para mim”, completou, falando em entrevista coletiva após a vitória do Athletico sobre o Atlético-GO. “Eu nunca deixei de trabalhar e acreditar que o momento chegaria. Para quem se dedica, as coisas podem demorar, mas uma hora acontecem”, completou o zagueiro, que teve a sua atuação diante do Atlético-MG definida como “perfeita” pelo companheiro Thiago Heleno.
E Lucas Belezi admite que depois do pesadelo ele agora vive um sonho. “É um motivo de muito orgulho para mim estar vivendo esta fase que estou vivendo hoje. Já vivi momentos especiais na minha vida, mas nada se compara a estes dois últimos jogos, em termos de energia, de emoção. São momentos especiais e estes dois jogos eu vou carregar para sempre na minha vida”, finalizou o zagueiro do Athletico, longe da geladeira e conquistando a torcida.

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