Todos sabiam que não seria fácil vencer o Vasco em São Januário, estádio em que o Atlético nunca saiu vitorioso. Mas o que ninguém esperava era que o Furacão protagonizasse um verdadeiro vexame no Rio de Janeiro. Com dois jogadores expulsos e uma arbitragem polêmica, o rubro-negro foi presa fácil, jogou absurdamente mal e ainda sofreu com os erros de seu treinador para sair derrotado – e humilhado – por 3 a 1 para o Vasco.
Mais uma derrota no Basileiro afunda o Atlético de vez na zona do rebaixamento, com apenas sete pontos em nove partidas, além do pior retrospecto como visitante: quatro jogos e quatro derrotas. A torcida perdeu a paciência e utilizou de redes sociais, como orkut e Twitter, para protestar contra os atletas, as contratações, a diretoria e, principalmente, contra o técnico Paulo César Carpegiani. A campanha “Fora Carpegiani”, ganha força na internet.
O jogo
Apesar de não levar sufoco do Vasco, o Atlético também não começou bem no jogo. O Furacão surpreendeu a adotar um 4-2-3-1 semelhando ao utilizado na derrota contra o Cruzeiro, com Leandro atuando como lateral esquerdo e Paulinho jogando novamente no meio de campo. Isso gerou muitos espaços para a equipe carioca jogar pelo lado direito.
De resto a partida era bastante equilibrada, com erros dos dois lados, tanto que nenhuma chance clara de gol foi criada antes dos 15 minutos. O Furacão era levemente superior, pois tocava bem a bola, sem abusar dos chutões da zaga para o ataque. O meio-campo trocava passes em velocidade, mas a zaga vascaína conseguia cortar todas as jogadas de ataque do rubro-negro.
Mas nem o bom toque de bola evitou as tradicionais falhas da zaga atleticana. Jonathan recebeu livre na entrada da área, ninguém foi pra cima, e ele bateu rasteiro. A bola quicou na frente do goleiro Neto, que falhou, e viu a pelota morrer no canto direito da meta rubro-negra: 1 a 0 Vasco, festa da torcida carioca em São Januário.
Bem postado, o Furacão acabou sentindo gol e passou a dar mais espaços para o Vasco. Se não bastasse isso, o pior aconteceu aos 24 minutos: Eli Sabiá derrubou Nunes dentro da área e o árbitro marcou a penalidade. O próprio Nunes bateu no canto direito, enquanto Neto caiu para o outro lado. Metade do primeiro tempo e o Vasco abría 2 a 0, complicando a situação do Atlético.
O lado direito de ataque da equipe carioca era por onde mais surgiam as oportunidades de gol. Depois de sofrer o 2 a 0, o Atlético não chegou mais à meta alvinegra. Eli Sabiá e Leandro, muito mal, erravam demais na defesa, expondo ainda mais o Furacão ao rápido ataque vascaíno.
Como nada é tão ruim que não possa piorar, Chico cometeu uma falta violenta e recebeu o vermelho direto, aos 30 minutos, justo no momento em que Carpegiani ia colocar Maikon Leite em campo. Além disso, Eli Sabiá, aos 35, reclama da marcação de um lateral e recebe o segundo amarelo. Um verdadeiro desastre: ainda no primeiro tempo o Furacão fica com nove em campo.
Depois disso, um verdadeiro baile do Vasco. O Atlético errando muito, marcando mal e sem poder de reação. Carlinhos quase ampliou aos 38, enquanto Fernando Prass era praticamente um espectador em campo, já que o Atlético simplesmente não conseguia sair do campo de defesa.
Ainda assim, aos 46 minutos, a sorte sorriu para o Furacão. Em cobrança de escanteio, a bola sobrou para Bruno Mineiro, que dominou e bateu no canto esquerdo da meta vascaína. No último lance do primeiro tempo, o Furacão descontava e, após o apito final, muita reclamação com a arbitragem na saída para os vestiários.
Durante o intervalo, várias mudanças, duas no Atlético e uma no Vasco. De pouco adiantou. O árbitro mal apitou e a equipe da casa já foi pra cima do Furacão novamente. Leandro levou duas bolas nas costas dos atacantes vascaínos, que saíram na cara de Neto aos 3 e aos 4 minutos, com ambas as bolas explodindo no travessão.
Aos 10, 13 e 14, um verdadeiro bombardeio do time da casa. O Atlético só se segurava na defesa, e não conseguia sequer chegar a seu campo de ataque. Tanta pressão só poderia resultar em gol: Aos 16 minutos, Léo Gago recebeu livre fora da área, e acertou o canto esquerdo de Neto: 3 a 1 Vasco.
Logo em seguida do terceiro gol, Carpegiani realizou a última alteração na equipe. Tirou Maikon Leite, que tinha entrado no intervalo, para colocar o zagueiro Bruno Costa e evitar um vexame ainda maior. Mas não tinha como. O Atlético não conseguia fazer absolutamente nada em campo. O Vasco deitava e rolava, com a maior liberdade para fazer o que bem entendesse.
Antes dos 30 minutos, foram quatro chances de gol do Vasco, desperdiçadas na cara do goleiro atleticano. Nem mesmo o fim próximo do jogo diminuiu o ímpeto carioca, que dominava a partida de uma maneira incrível. Até o apito final, só deu Vasco, com o Atlético se defendendo e garantindo a desastrosa derrota por 3 a 1.
FICHA TÉCNICA
VASCO
Fernando Prass, Fagner, Dedé, Titi e Carlinhos; Rafael Carioca, Romulo, Nilton (Léo Gago, intervalo) e Fumagalli (Allan, 23’/2ºT); Jonathan e Nunes (Bruno Paulo, 34’/2ºT)
Técnico: Paulo César Gusmão
ATLÉTICO
Neto, Leandro, Eli Sabiá e Rholdofo; Wagner Diniz, Fransérgio, Chico, Paulo Baier (Deivid, intervalo) e Paulinho; Branquinho (Maikon Leite, intervalo) (Bruno Costa, 18’/2ºT) e Bruno Mineiro
Técnico: Paulo César Carpegiani
Data: 17/07/2010
Local: São Januário – Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Nielson Nogueira Dias (PE)
Auxiliares: Erich Bandeira (PE – Fifa) e Jossemmar José Diniz Moutinho (PE)
Público: 4.530
Renda: R$ 72.930
Cartões amarelos: Fumagalli (VAS); Rhodolfo (CAP)
Cartões vermelho: Chico, 30’/1ºT (CAP); Eli Sabiá, 36’/1ºT (CAP)
Gol: Jonathan, 18’/1ºT (1-0) Nunes, 25’/1ºT (2-0); Bruno Mineiro, 46’/1ºT (2-1); Léo Gago, 17’/2ºT (3-1)
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