Um julgamento complicado, que envolve diversas questões, e de certa forma inédito no futebol brasileiro. É isso que se pode esperar do pleito desta tarde, quando o STJD vai julgar os zagueiros Manoel e Danilo, por confusões envolvendo os dois atletas no jogo de ida entre Atlético e Palmeiras, na Copa do Brasil.

A confusão foi a seguinte: Um tumulto na área em uma cobrança de escanteio iniciou os desentendimentos. Danilo empurrou Manoel, que revidou com uma cabeçada. Na sequência, o zagueiro alviverde chamou o adversário de “macaco” e cuspiu na cara dele. Caído ao chão, Manoel foi novamente xingado com um “levanta macaco”. Já no segundo tempo, Danilo sofreu uma falta e caiu no gramado. Manoel deu um pisão no rival, e após o encerramento do jogo, admitiu que fez de propósito.

Para o advogado de Manoel, Domingos Moro, o ineditismo do julgamento está exatamente nas imagens de televisão que mostram claramente o xingamento racista. “Nessa situação (de ato de racismo) sempre necessitou do testemunho de terceiros. Desta vez teremos provas de áudio e vídeo nítidos revelando a ofensa”, disse.

Outro ponto destacado por Moro é que, antes da reforma do CBJD, a cusparada dificilmente era punida e os advogados sofriam para enquadrá-la em algum artigo. Agora, o artigo 254-B prevê pena alta para quem cuspir na cara de outro atleta. E há também imagens comprovando o cuspe de Danilo.

Moro afirmou que este julgamento vai ser um “divisor de águas” para casos de racismo no futebol. “Ou se pune com rigor, como deve ser punido um caso assim, ou fica liberado e subentende-se aceito chamar outro jogador de macaco. É um julgamento emblemático nesse sentido”, afirmou.

Manoel foi enquadrado duas vezes no artigo 250 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que se refere a “prática de ato hostil” e prevê punição de 1 a 3 jogos. No total, o zagueiro rubro-negro pode pegar 6 partidas de suspensão.

Já a situação de Danilo é mais complicada. Ele foi denunciado nos artigos 254-B (“cuspir em outrem”), com pena de 6 a 12 jogos, e 243-G (“ato discriminatório relacionado a preconceito em razão da cor”) e pode pegar 5 a 10 jogos de suspensão. Danilo pode ser punido em até 22 partidas.

A previsão do tribunal é que o caso não seja resolvido hoje, e as partes envolvidas entrem com um recurso para levar o processo ao Pleno, instância máxima do STJD. “Qualquer que seja o resultado, tenho certeza que a procuradoria vai recorrer. A novela terá apenas o 3º capítulo hoje. Ainda vem o 4º capítulo (o recurso). O 1º capítulo foi o fato em si, e o 2º foi o desdobramento na polícia”, disse Moro, lembrando que, após o jogo, Manoel foi a uma delegacia prestar queixa de racismo contra Danilo.

Paulo Baier

O capitão rubro-negro também será julgado nesta quarta-feira. Ele foi expulso na mesma partida em que ocorreram as confusões entre Danilo e Manoel. Paulo Baier foi enquadrado no artigo 250 (“ato hostil”) por uma dura falta no próprio Danilo.

A pena prevista é de 1 a 3 jogos, mas Moro afirma que dificilmente o meia será punido. Ele deve pegar, no máximo, um jogo de punição, já cumprido na partida de volta entre Atlético e Palmeiras.

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STJD julga hoje os zagueiros Manoel e Danilo

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