Depois de um péssimo início de Série B, ao que tudo indica o Coritiba parece ter se acertado e foi com tudo em busca de uma colocação no G4, ainda antes da Copa do Mundo. Como só havia mais uma rodada antes do Mundial, era preciso vencer o Santo André, no Bruno José Daniel, para se colocar na zona de classificação para a primeira divisão. No entanto, uma tarefa difícil, já que em oito confrontos entre as duas equipes, o Verdão venceu apenas um, e nunca superou o time paulista no estádio do adversário.

Com três vitórias consecutivas, o Coxa ocupava a sétima posição, com 11 pontos e, caso conquistasse mais três, poderia alcançar até a vice-liderança da competição, dependendo dos resultados de Náutico e América Mineiro. Mas, de qualquer forma, uma simples vitória já colocava a equipe de Ney Franco entre os quatro primeiros. E esta era a meta traçada pelo treinador para as sete primeiras partidas do campeonato. Sem Jéci, suspenso, Ney colocou Lucas Mendes na zaga, ao lado de Demerson. Marcos Paulo voltou ao meio campo alviverde, e Enrico ficou com a última vaga na criação de jogadas da equipe.

E o primeiro tempo começou favorável para o Coritiba. A equipe marcava bem, principalmente com Leandro Donizete, que dava suporte para Marcos Paulo sair para o jogo. Ariel estava bem posicionado na área e a bola chegava com qualidade até ele. Mas, apesar de encontrar dificuldades no início, o Santo André se segurava bem na defesa. De nada adiantou a postura recuada do time paulista. Aos 14 minutos, Marcos Paulo recebeu um bom passe de Rafinha e arriscou de fora da área. A bola desviou em Halisson e enganou o goleiro Júlio César, que nada pôde fazer: 1 x 0 Verdão.

Engana-se quem pensa que depois de abrir o placar o Coritiba recuou por jogar fora de casa. A equipe paranaense era superior no jogo, tocava bem a bola, e se aproveitava dos inúmeros erros de passe do Ramalhão. Faltava ao Verdão apenas marcar melhor a saída de bola do adversário, para tentar chegar ao segundo gol. Mas o Coxa manteve essa postura apenas até os 25 minutos de partida. A partir disso, o Santo André pareceu corrigir algumas falhas e passou a sair mais para o ataque, em busca do empate. Apesar de finalizar pouco, o Ramalhã já equilibrava as ações do jogo.

O primeiro tempo seguia aberto, ou seja, qualquer uma das equipes poderia chegar ao gol. Mas era visível que o Coritiba tinha mais qualidade técnica que o adversário, se mostrando mais perigoso quando atacava. No entanto, os dois goleiros pouco trabalhavam. Quando a bola chegava para eles, não chegava a incomodar e as defesas eram tranquilas. Depois dos 40 minutos, o Verdão caiu de rendimento em campo. Mas, para sorte da equipe alviverde, aos 45 minutos, Júlio César derrubou Ariel dentro da área, o árbitro marcou a penalidade e ainda deu o vermelhinho direto para o arqueiro paulista. Os jogadores do Ramalhão ficaram reclamando muito com a arbitragem, enrolando a cobrança do pênalti.

Ariel pegou a bola e ainda teve que esperar a entrada do goleiro Neneca. Na cobrança da penalidade, o argentino esperou o arqueiro cair para o canto esquerdo para bater com tranquilidade no meio do gol. Foi o último lance do primeiro tempo, que terminava em 2 x 0 para o Coritiba. Após o apito final, mais reclamação dos atletas do Ramalhão. Durante o intervalo, Ney Franco tirou Leandro Donizete, que já tinha amarelo, para colocar Ramon. Do outro lado, Sérgio Soares tentou conversar as falhas do seu time na base da conversa e não realizou nenhuma substituição.

Apesar de estar com um a menos, o Santo André voltou bem para o segundo tempo, indo para cima do Coritiba e criando mais chances de gol. Sentindo o bom momento do adversários nos primeiros 10 minutos, Ney Franco tirou Marcos Paulo, ficou sem nenhum volante em campo e colocou mais um atacante: Geraldo. Mas de pouco adiantou. O Verdão claramente diminuiu o ritmo da partida, adminstrando a ampla vantagem no marcador. Mas a equipe paranaense não deixava de atacar quando a oportunidade surgia, só estava mais recuada em campo, se defendo mais para não correr riscos.

Um jogador alviverde tinha atuação muito mais apagada do que nos últimos jogos: Dudu. O jovem meia não conseguia criar nada e ainda errava muitos passes no meio-campo. Rafinha, por outro lado, se movimentava bem e participava dos principais lances de gol do Coritiba. O Ramalhão tinha mais posse de bola, e era realmente superior quando chegava ao ataque. A equipe paulista teve, pelo menos, três boas oportunidades de diminuir o placar do jogo. E ‘água mole em pedra dura, tanto bate até que fura’, que aos 31 minutos, em cruzamento para a área, Rafinha tentou cortar, mas furou a bola, que caiu nos pés de Altair. O camisa 11, livre na cara do gol, só teve o trabalho de bater no canto esquerdo de Edson Bastos: 2 x 1 Coritiba.

E o jogo pegou fogo! 2 minutos depois do gol paulista, Triguinho cometeu dura falta na ponta esquerda e foi expulso. Agora, as duas equipes tinham 10 em campo, e a torcida do Ramalhão se empolgou com o bom momento do time e passou a incentivar os atletas com mais empolgação. Percebendo que a partida ficou perigosa, Ney Franco tirou o apagado Dudu, para entrada do zagueiro Cleiton, com a clara intenção de segurar a vitória. E a substituição foi melhor do que o esperado. Aos 38 minutos, o Coxa levava sufoco, mas em uma cobrança de falta de Rafinha para a área, Cleiton recebeu, fez o giro e bateu no ângulo de Neneca. O 3 x 1 no placar dava tranquilidade para o Coritiba.

A partir dos 40 minutos, o Verdão apenas administrava a boa vitória até o apito final. O resultado levava à equipe ao G4 pela primeira vez desde o início desta Série B, ocupando agora a terceira colocação. Apesar do segundo tempo irregular, o Coritiba foi eficiente quando teve oportunidade e, assim, conquistou os três pontos e atingiu a meta programada para antes da Copa do Mundo. Agora, serão quase 40 dias de muito trabalho, mas com bastante traquilidade. É preciso ainda corrigir algumas falhas, principalmente na questão disciplinar, pois o time alviverde tem tido jogador expulso em todas as partidas. De qualquer forma, a simples presença entre os quatro primeiros já significa muito para a torcida coritibana.

FICHA TÉCNICA

Santo André
Júlio César; Cicinho, Halisson, Douglas e Arthur (Richely 10’/2T); Altair, Alê, Gil (Marcelinho, intervalo) e Vitor Sony (Xuxa 30’/2T); Borebi e Rodrigão (Neneca 46’/1T)
Técnico: Sérgio Soares

Coritiba
Edson Bastos, Ângelo, Demerson, Lucas Mendes e Triguinho; Marcos Paulo (Geraldo 13’/2T), Leandro Donizete (Ramon, intervalo), Enrico e Dudu (Cleiton 35’/2T); Rafinha e Ariel
Técnico: Ney Franco

Data: 05/06/2010
Local: Estádio Bruno José Daniel – Santo André (SP)
Árbitro: Antonio F de Carvalho Schneider (RJ)
Auxiliares: Ediney Guerreiro Mascarenhas (RJ) e Marçal Rodrigues Mendes (RJ)
Público: 1.248 pagantes
Renda: R$ 14.360,00
Cartões amarelos: Vitor Sony, Douglas, Gil, Cicinho, Alê (STA); Leandro Donizete, Rafinha, Marcos Paulo (COR)
Cartões vermelho: Júlio César (STA); Triguinho (COR)
Gol: Marcos Paulo 14’/1T (0-1), Ariel 48’/1T (0-2), Altair 32’/2T (1-2)