Equatorianos alertam torcedores sobre estádio da final: "Não vá sozinho"
Disputa pela ‘Glória Eterna’ acontece neste sábado. Foto: Reprodução/Twitter Libertadores

A tentativa de assalto à equipe de reportagem da emissora TeleAmazonas, à luz do dia, em frente ao Estádio Monumental de Guayaquil, palco da final da Copa Libertadores da América, aumentou ainda mais a tensão na cidade equatoriana que recebe a decisão continental entre Flamengo e Athletico. A reportagem constatou no local que, por mais que as autoridades tentem passar tranquilidade, o clima é de insegurança, ao mesmo tempo que há uma corrente de solidariedade do povo da região para acolher os turistas brasileiros.

A reportagem desembarcou na cidade na manhã de quinta-feira (25). O voo já contava com grande quantidade de flamenguistas e um solitário torcedor athleticano. Já no trajeto do aeroporto para o hotel, que fica bem próximo de onde o Flamengo se hospedará, o motorista de aplicativo alertou.

“Não ande sozinho na rua e tente não ficar com o celular nas mãos. Evite lugares desertos à noite e ande em grupo. Não vá sozinho ao estádio do Barcelona (de Guayaquil)”, disse Juan Miguel Álvares, de 53 anos, citando o palco da decisão.

Casa do clube mais popular do Equador, o estádio chama a atenção pela imponência e arquitetura, mas convive ao seu redor com a criminalidade e o narcotráfico, que tem assolado a cidade, algo que levantou a hipótese de mudar o palco da decisão da Libertadores. Foi nas imediações do local que o youtuber Gabriel Reis, mais conhecido como Paparazzo Rubro-Negro na plataforma de vídeos, por pouco também não sofreu um assalto na última segunda-feira (24).

“Os seguranças do estádio já haviam me alertado que eles (criminosos) ficavam lá de cima da comunidade observando a movimentação no estádio por binóculos, e quando viam pessoas com telefones nas mãos, desciam. Mas eu falei que ia gravar um último vídeo do lado de fora, e aí quando acabei, parou uma moto na esquina, perto de mim, e saltou um deles vindo na minha direção e puxando assunto: ‘Brasileiro? Me entrevista, me entrevista!'”, disse o youtuber, complementando:

“Eu já saquei qual era a dele na hora, comecei a andar para trás e fui dizendo para ele: ‘vem mais para cá, vem mais para perto’, para eu ficar mais próximo do pessoal da segurança. Ai quando me aproximei, um segurança abriu o portão, puxou a arma da cintura, mostrou para o rapaz, eu entrei e o rapaz subiu na moto e foi embora”.

Após o susto, Paparazzo Rubro-Negro aconselhou os torcedores que vierem a Guayaquil a deixarem para ir ao estádio somente no dia do jogo, quando o local estará com a segurança reforçada.

“É área de risco. Até ir em grupo eu acho perigoso, porque eles estão andando de pistola na cintura, estão descendo para roubar. Deixa para ir no dia do jogo, com policiamento, escolta e entra logo para a área do estacionamento porque ali é seguro. Do lado de fora evitem, porque a ordem dos caras é roubar”, alertou.

‘Escolta’ para ir a rua

A reportagem também conviveu com um fato curioso logo em seu primeiro dia em Guayaquil. Mesmo estando numa região mais segura, bem próxima ao hotel do Flamengo e também ao Malecón 2000 – que é uma região turística da cidade e bem policiada – o clima era de preocupação.

Uma simples ida à rua para comprar um adaptador de tomada se tornou uma “missão com escolta”. Um funcionário do hotel se disponibilizou a acompanhar a reportagem no percurso de dez minutos a pé, mesmo sem nenhuma solicitação do tipo. Enquanto caminhava, ao mesmo tempo que alertava, também tentava amenizar a tensão.

“É aquela coisa: tem que andar atento na rua, né? Mas também não é nada que não aconteça em outras cidades da América do Sul. No Brasil também é assim, não é mesmo?”, indagava durante o trajeto.

Na parte da tarde, a reportagem se dirigiu para o ponto de troca de ingressos dos torcedores, que ficam num shopping a cerca de dez minutos do hotel do Flamengo. Por lá, um atendente de um restaurante indagou se a reportagem era da imprensa brasileira, e ao receber a confirmação, sacou seu celular e mostrou a imagem da tentativa de assalto à TV equatoriana que aconteceu mais cedo.

“Não vá sozinho para o estádio do Barcelona”, disse o funcionário, repetindo exatamente a mesma frase que o motorista de aplicativo de mais cedo.

Torcedores viram atração; eleição em pauta

Em grande maioria na cidade, os torcedores do Flamengo têm virado uma atração para os equatorianos de Guayaquil. Tem sido comum a população local pedir para tirar fotos com os rubro-negros nas ruas, que têm sido ocupadas cada vez mais pelos brasileiros.

Além da final da Libertadores, outro tema que é levantado com certa frequência pelos equatorianos é a eleição presidencial no Brasil. A disputa entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é vista com atenção e divide opiniões. A reportagem, por exemplo, foi abordada duas vezes sobre o assunto, com um simpatizante de cada lado.

Mais segurança

A tendência é a de que a segurança fique cada vez mais reforçada em Guayaquil com o passar dos dias e a proximidade da final. Segundo as autoridades, serão 1.911 homens da Polícia Nacional nas ruas, além de 40 delegados municipais e 88 agentes do Corpo Metropolitano para realizar a escolta nos centros de treinamento e no Estádio Monumental. Fora isso, o governo instalou 736 câmeras com inteligência artificial pela cidade.

Os hotéis onde Athletico e Flamengo se hospedarão já estão com forte esquema de segurança, mesmo sem a presença das equipes, que só desembarcarão em Guayaquil na tarde desta quarta-feira (26).

Fun Fest ‘esquenta’ decisão

A Conmebol divulgou que a partir desta quarta (26) até sexta (28), véspera da decisão, funcionará sua Fun Fest, oficialmente chamada de La Embaixada Del Hincha, que ficará montada no Palácio de Cristal, na região do Malecón 2000, ponto turístico da cidade.

O evento será gratuito e terá apresentações musicais, culturais e atividades interativas aos torcedores. Os organizadores estimam receber entre 4 mil e 5 mil pessoas de maneira simultânea.

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