De acordo com o indicador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o preço da arroba do boi gordo (15 kg) atingiu recorde histórico, na última quarta-feira (15), o valor de R$ 373,30 (equivalente a US$ 73,58). Este montante supera a marca de abril de 2022, que era de US$ 73,53, e impacta diretamente o custo de vida dos brasileiros.

Mão cortando um pedaço de carne. Imagem ilustrativa para matéria sobre o preço do boi gordo que aumentou
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O forte “apetite” do mercado externo tem sido o principal motor para essa valorização. No último ano, as exportadoras brasileiras enviaram 3,5 milhões de toneladas de proteína bovina para fora do país, um salto de 20,9% em comparação a 2024, segundo dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

Embora o volume de abates também tenha subido 19,2% (passando de 25,5 milhões para 30,4 milhões de toneladas), a oferta não conseguiu acompanhar a explosão da demanda.

O peso no bolso do consumidor por conta do aumento do preço do boi gordo

O reflexo dessa situação já é sentido nas compras do dia a dia do povo brasileiro. Em março, o preço das carnes subiu 1,73%, registrando a maior variação mensal desde o fim de 2024, conforme apontado pelo IPCA. No acumulado do primeiro trimestre deste ano, a alta já chega a 3,18%, pressionando significativamente o orçamento das famílias.

Carnes atingem maior inflação mensal desde dezembro de 2024

Carnes atingem maior inflação mensal desde dezembro de 2024
Fonte: IBGE/infográfico produzido pela Banda B.

Variação por corte (últimos meses):

• Fígado: +7,5%

• Capa de filé: +6,8%

• Alcatra: +6,2%

• Filé-mignon: +4,9%

• Picanha: +4,4%

• Contrafilé: +4,3%

• Lagarto: +3,6%

• Músculo: +3,5%

• Coxão mole / Acém: +3,3%

Mato Grosso do Sul consolida protagonismo no comércio exterior

O estado de Mato Grosso do Sul registrou um desempenho excepcional no primeiro trimestre de 2026. A receita com a exportação de carne bovina in natura disparou 44,1%, saltando de US$ 338,8 milhões para US$ 488,2 milhões. Em termos de volume, o crescimento foi de 24,5%, totalizando 83,5 mil toneladas embarcadas.

Principais destinos e mercado global:

• China: Segue como a maior parceira, importando 26,8 mil toneladas e gerando um faturamento de US$ 152,4 milhões (31,23% da receita total do estado).

• Além dela, outros compradores são: Estados Unidos (24,01%), Chile (11,41%), Uruguai (4,79%) e Israel (3,12%).

Com esses números, o Mato Grosso do Sul se posiciona como o 4º maior exportador de carne bovina do Brasil, sendo responsável por 12,3% do faturamento nacional do setor, que já soma US$ 3,9 bilhões em 2026.

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