Ao menos 50 trabalhadores do transporte coletivo se mobilizaram para protestar em frente à Superintendência Regional do Trabalho no Paraná, na tarde desta quinta-feira (28), na região central de Curitiba. Segundo os funcionários, o motivo é o atraso no pagamento dos salários.

Nesta tarde, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) convocou uma audiência com o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) e a Urbanização de Curitiba (Urbs) para discutir o atraso salarial.

No local, funcionários do transporte público protestaram usando apitos, roupas de palhaço e cartazes com escritos como “chega de palhaçada”; “Urbs, seja a favor do emprego e não contra” e; “prefeito, diga não ao monopólio do transporte”.

À Banda B, uma funcionária afirmou que a Urbs não tem repassado verba às empresas para que estas cumpram o pagamento dos trabalhadores.

“Reivindicamos nosso salário e o fim de multas abusivas, porque a Urbs multa, julga e cobra. O transporte já foi melhor. Queremos que o prefeito dê uma solução para nós e entenda nossa causa porque se nossa empresa parar 300 famílias perderão seu sustento”, disse ela.

Há menos de um mês, no dia 11, o Sindimoc chegou a divulgar que os motoristas e cobradores de ônibus que trabalham na empresa CCD haviam aprovado indicativo de greve por causa do atraso salarial. Horas mais tarde, a CCD afirmou que efetuaria os pagamentos atrasados.

Foto: Marcelo Borges/Banda B

O presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, disse à reportagem da Banda B nesta quinta (28) que a demora nos pagamentos de salários tem se tornado recorrente. “Tivemos alguns incidentes no pagamento do quinto dia útil de abril, no adiantamento quinzenal, no dia 20 de março e agora novamente”, lamentou.

“Estamos observando que, de forma recorrente, algumas empresas de transporte coletivo estão atrasando esses pagamentos. Já fizemos várias mobilizações, e o problema é o pagamento da Urbs às empresas.”

A audiência que ocorre no Superintendência Regional do Trabalho no Paraná, diz ele, tem como objetivo possibilitar o ato de denunciar o caso e conseguir uma resposta das empresas.

Questionado sobre a possibilidade de acontecer uma paralisação geral no serviço de transporte coletivo na capital, Teixeira não descartou: “Se o transporte coletivo parar não é nossa culpa”.

“Hoje temos duas empresas principais que ainda não receberam: a Mercês e a CCD. O trabalhador está desde o dia 20 com o salário atraso, porém está desde as 4h da manhã na empresa”, finalizou.

O que diz a Urbs

“A Urbanização de Curitiba (Urbs) informa que os pagamentos estão em dia até 24/4 e que ainda não foram repassados R$ 2, 44 milhões relativos ao vencimento de ontem (27/4).

A empresa aguarda a aprovação, pela Câmara Municipal de Curitiba (CMC), do projeto de suplementação orçamentária de R$ 174 milhões, que será usado, em sua maior parte, para fazer frente ao déficit do sistema em 2022. O município também aguarda a assinatura do convênio com o Governo do Estado para o repasse de subsídio ao transporte coletivo.

A Urbs reitera que tem feito esforços para acelerar os dois projetos e assim evitar atrasos nos pagamentos às empresas. O transporte coletivo prevê um déficit de R$ 154 milhões em 2022, gerado pela diferença entre a tarifa técnica (R$ 6,37) – que é a efetivamente paga às empresas – e a social, paga pelo usuário, de R$ 5,50. A diferença é coberta por subsídio do poder público.

A empresa também ressalta que o transporte coletivo é um serviço essencial, vital para o deslocamento de milhares de pessoas todos os dias. A redistribuição de linhas entre empresas em caso de greve é uma prerrogativa de contrato e também uma forma de preservar o usuário de ônibus da capital.”

O que diz a Setransp

“O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) informa que, com a entrada dos repasses feitos pela Urbanização de Curitiba (Urbs) até esta quinta-feira (28), as operadoras vão ajustar a situação do atraso com seus colaboradores o mais rápido possível.

Para o pagamento da folha, no quinto dia útil do próximo mês, as empresas aguardam os repasses da Urbs, conforme tarifa técnica vigente e seguindo a programação contratual, para que esse problema não se repita.”

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