Representantes da sociedade civil acreditam que é possível implementar a “tarifa zero” no sistema integrado de transporte que faz parte de Curitiba e cidades da Região Metropolitana. O tema foi discutido na manhã desta segunda-feira (9), no Auditório da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
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Atualmente, 10 cidades no Paraná possuem a gratuidade no transporte público: Cianorte, Clevelândia, Ibaiti, Ivaiporã, Matinhos, Paranaguá, Pitanga, Quatro Barras, Rio Branco do Sul e Wenceslau Braz.
A audiência pública “Tarifa zero no Transporte Público Municipal“ foi proposta pelo deputado estadual, Goura (PDT), que afirmou ser um debate de “extrema relevância coletiva e social para as cidades”.
A gente defende que a tarifa zero seja uma política construída com o governo federal, o governo do estado e os municípios, priorizando o direito às cidades: quanto mais pessoas usarem o transporte, melhor é para todo mundo. (…) Assim como nós temos o Sistema Único de Saúde (SUS), em que todo brasileiro pode usá-lo de forma gratuita e funciona muito bem, a gente tem a proposta da criação de um “sistema único de mobilidade”.
deputado estadual, Goura (PDT).
A audiência trouxe o olhar de especialistas em economia, além de representantes das empresas de ônibus, trabalhadores e estudantes, e empresários. A prefeita de Rio Branco do Sul, Karime Fayad, e a secretária de Serviços Urbanos de Paranaguá, Christianara Rosa, representando duas das cidades paranaenses que já possuem a tarifa zero, falaram das experiências dentro dos municípios.
Em Rio Branco do Sul, a gente mantém veículo próprio, motoristas concursados, manutenção própria, e conseguimos gerir bem, e com autonomia, este transporte, que hoje beneficia mais de 8 mil passageiros por mês. São recursos próprios do município.
prefeita de Rio Branco do Sul, Karime Fayad.
Hoje, em Paranaguá, a gente tem a experiência (…) e conseguimos perceber todas as vantagens que a ação traz para a cidade. (…) Foi [uma experiência] muita positiva porque houve retornos para o comércio, a diminuição de veículos e a queda de acidentes pela cidade. (…) A tarifa zero é um programa social, acima de tudo. Tudo que você investe no campo social, volta para a cidade de algum jeito.
secretária de Serviços Urbanos de Paranaguá, Christianara Rosa.
Deputados e vereadores falam sobre realidade da Grande Curitiba
Sobre o tema, o deputado estadual, Luiz Claudio Romanelli (PSD), pontuou que a proposta exige uma “mudança na forma de enxergar o transporte coletivo”. Para o parlamentar, que citou Curitiba como exemplo, a urgência na implementação traz inúmeros benefícios às famílias que possuem menos renda.
Segundo ele, a cidade possui cerca de 900 mil passageiros/dia. O número, que pode parecer grande, na visão de Romanelli, gera uma sobrecarga ao poder público por conta dos subsídios.
A lógica do sistema, você tem que pensar fora da caixinha, porque este sistema, que está posto hoje, não é autossustentável. É um sistema que está morto. Ele cada vez tem uma tarifa maior, mas diminui o número de passageiros e exige o aumento do subsídio dado pelo Estado e/ou municípios. Nós temos que rediscutir este modelo todo.
deputado estadual, Luiz Claudio Romanelli (PSD).
Anderson Teixeira, presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc), dentro das perspectivas dos colaboradores que atuam diretamente com os ônibus do transporte público, falou que a medida também será benéfica aos motoristas e colaboradores, uma vez que novos postos de emprego podem ser gerados devido ao aumento da demanda de passageiros.
Por conta das experiências em outras cidades, ficou comprovado que há o aumento dos ônibus. Então, aumenta o número de trabalhadores também. (…) A gente vê que é uma tendência, que uma hora ela [tarifa zero] vai chegar. Então, é importante que a gente esteja inserido para que nós coloquemos as nossas pautas e reivindicações
presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira.

Presidente da Comissão Especial do Transporte na Câmara Municipal de Curitiba, Herivelto Oliveira (Cidadania), ressaltou os estudos em andamento que buscam entender quais são os melhores caminhos para implementação do projeto na capital paranaense.
O dinheiro poderia vir das publicidades nos ônibus, poderia vir da privatização dos terminais, da criação de impostos, etc. Enfim, há uma série de recursos que poderiam ser angariados para financiar a tarifa. Nós acreditamos que, sim, é possível a tarifa zero em Curitiba.
vereador de Curitiba, Herivelto Oliveira (Cidadania).
Movimentos populares
Nicolas Souza, diretor da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), ressaltou que, para alunos de colégios públicos, o custo a menos com o transporte público pode permitir que o valor seja destinado a outras áreas da família.
A gente vê a necessidade de extrema importância. Estamos sempre a caminho das escolas, tenho um amigo que desistiu de estudar no Colégio Estadual do Paraná porque não tinha como pagar a passagem. Ele mora em Campina Grande do Sul e gastava quase de R$ 300 por mês. No bolso de uma família, que só tem um salário mínimo, não tem como.
diretor da UPES, Nicolas Souza.
Gabriel dos Santos, membro do movimento Tarifa Zero, reforçou que a medida passa, principalmente, pela vontade política.
É um debate importante, que nós temos que trazer porque traz para a sociedade pontos possíveis. Mostra para a sociedade que a tarifa zero não é questão de saber se “é possível ou não”, mas sim de vontade política.
membro do movimento Tarifa Zero, Gabriel dos Santos.
Tarifa Zero no Brasil
Em julho deste ano, uma reportagem do G1 trouxe dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Segundo o órgão, 74 cidades brasileiras já possuem a tarifa zero no transporte público. Somadas, as cidades reúnem quase 4 milhões de habitantes.
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