O governador do Paraná, Ratinho Júnior, afirmou em entrevista nesta segunda-feira (25) que “houve excesso” por parte dos policiais envolvidos na polêmica abordagem feita durante procedimentos da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (Aifu), na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), no último sábado (23). Ele ainda lamentou o ocorrido e disse se tratar de um “caso isolado” na rotina de atuação das equipes de segurança do Estado.
“Houve excesso. Ali não foi uma atitude normal de abordagem da Polícia Militar. A PM faz diversas ações diariamente, e aquilo foi um caso isolado. Já foram tomadas providências de abertura de sindicância para fazer uma avaliação e punir os responsáveis”, disse Ratinho Júnior.

O caso repercutiu nacionalmente após um vídeo viralizar mostrando as cenas da confusão envolvendo a abordagem da Aifu na Rua Raul Pompéia. A empresária que afirmou ter sofrido agressões da equipe policial, inicialmente, filma a prisão de um outro rapaz.
Em seguida, ainda com a câmera, ela se aproxima dos PMs e demonstra seu espanto com a abordagem. “Vocês passaram dos limites! Ridículos”, repete Stephany durante a gravação. O celular é derrubado na rua e, após a queda, um homem pega o aparelho e continua as filmagens. É neste momento que as agressões contra a empresária acontecem (assista ao vídeo clicando aqui).
Stephany Rodrigues é dona de uma hamburgueria. O comércio foi fechado por estar com a ocupação acima da capacidade permitida por decreto municipal. O local foi multado em R$ 30 mil por conta do descumprimento e, também, por não fornecer álcool gel.
OAB
Em nota divulgada no sábado, a OAB-PR (Ordem dos Advogados do Brasil – Paraná) também defende que as imagens do episódio revelam um “exagerado e inaceitável uso da força contra a cidadã, a pretexto de desacato”.
“A OAB-PR repele veementemente o notório exagero da força policial e comunica que representará às autoridades correicionais da Polícia Militar, bem como ao Ministério Público Estadual, pelo imediato afastamento das funções dos policiais envolvidos, abertura de inquérito e adoção das sanções penais e administrativas cabíveis contra os responsáveis”, diz ainda o comunicado.
Defesa PMs
O advogado Cláudio Dalledone Júnior, que defende o sargento e o capitão envolvidos no caso, afirmou que a filmagem da empresária Stephany Rodrigues durante o procedimento da Aifu foi uma ação orquestrada para intimidar a força policial.
“O que aconteceu foi algo orquestrado que culminou nestas cenas. As cenas não são bonitas porque a ação policial nunca é bonita (…). Foi uma ação orquestrada para intimidar a força policial. A Polícia Militar, ou qualquer força de segurança, tem que ser respeitada”, disse o advogado.
O capitão Ronaldo Goulart, responsável pela Aifu, ressaltou que o uso da força foi necessário para que a empresária fosse contida. Ainda, segundo ele, a mulher agiu de forma ‘desequilibrada’. “A partir dos exames ela recusou a limpeza dos ferimentos. Ela queria aproveitar a imagem para elaborar seus vídeos”, disse à reportagem neste domingo (25).
O Governo do Paraná já se manifestou sobre o caso e destacou que excessos nas ações da PM não podem ser tolerados. A determinação é para que a agressão da empresária receba apuração rigorosa. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR) determinou às polícias que apurem o caso. A conclusão dos procedimentos deve ser de pelo menos 30 dias.
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