Um vídeo que mostra um policial militar agredindo uma empresária durante ação de fiscalização da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (Aifu), na Cidade Industrial, em Curitiba, teve repercussão nacional no sábado (23). A confusão começou quando Stephany Rodrigues, dona de uma hamburgueria do bairro, estava filmando a prisão de um rapaz.

Empresária vai responder por desacato. Foto: Reprodução / Redes Sociais

Em entrevista à Banda B, o militar responsável pela Aifu, capitão Ronaldo Goulart, afirmou que o policial estava respondendo às atitudes de uma mulher que agiu de forma “desequilibrada”. Segundo ele, a região da CIC tem tido noites de desordem generalizada. Com isso, o objetivo da fiscalização e trazer de volta tranquilidade à população.

“As pessoas tem o direito de se manifestar e expor sua versão dos fatos. Mas o que aconteceu ali foi um rapaz que estava sendo conduzido pelo crime de desacato quando essa moça saiu gritando desequilibrada em direção as equipes com o celular na mão”, afirmou Goulart

No vídeo, é possível ver o policial derrubando a jovem no chão e a imobilizando. Ele ainda acertou boina na cabeça dela depois que a empresária discutiu e xingou os militares. A hamburgueria de Stephany foi fechada por estar com a ocupação acima da capacidade permitida por decreto municipal. O local foi multado em R$ 30 mil por conta do descumprimento e, também por não fornecer álcool gel.

Para o capitão Goulart, o uso da força foi necessário para que a empresária fosse contida. Segundo ele, logo que Stephany se acalmou, foi colocada em um camburão da Polícia Militar e encaminhada para a UPA do CIC para cuidar de ferimentos que, segundo Goulart, não foram causados pelos policiais. “A partir dos exames ela recusou a limpeza dos ferimentos. Ela queria aproveitar a imagem para elaborar seus vídeos”, diz.

Depois de passar pela UPA, a empresária acabou sendo conduzida a delegacia para responder pelos crimes de desacato e resistência à prisão.

Desordem generalizada na CIC

Violência policial teve repercussão nacional. Foto: Reprodução / Vídeo

Um ouvinte que mora na região do CIC conversou com a Banda B e afirmou que a empresária tentou agredir a polícia militar. Segundo ele, Stephany ficou revoltada por ter sido multada pela Aifu.

“Ela tentou agredir desde o começo, faltou respeito pelo lado dela”, destacou o morador

De acordo com o capitão Goulart, a ação da Aifu tem o intuito de acabar com a desordem generalizada na região. Neste final de semana, as equipes de fiscalização realizaram 14 prisões. As prisões foram realizadas pelos crimes de estupro de vulnerável, tráfico de drogas, direção sobre bebida alcoólica. A operação também resultou em 131 notificações de trânsito e na aplicação de diversas multas.

Defesa classificou ato como covarde

O advogado de defesa da empresária Dr Igor José Ogar soltou uma nota oficial ontem sobre a agressão sofrida por sua cliente. Para ele, a ação da PM foi covarde e totalmente desproporcional. Segundo Igor, policiais que cometem atos como esses precisam ser retirados das ruas e das funções imediatamente.

Governo pede apuração rigorosa

Governo do Paraná já se manifestou sobre o caso e destacou que excessos nas ações da PM não podem ser tolerados. A determinação é para que a agressão da empresária receba apuração rigorosa. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR) determinou às polícias que apurem o caso. A conclusão dos procedimentos deve ser de pelo menos 30 dias.

Repúdio da OAB-PR

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) expressou repúdio à agressão sofrida pela empresária no CIC. A ordem classificou a ação como exagerada e com “inaceitável uso da força contra a cidadã, a pretexto de desacato”.

Para a OAB, as forças policiais devem proteger a população com segurança e é inimaginável que diligências de índole fiscalizatória a respeito das regras sanitárias de prevenção a Covid-19 resultem em atos tão violentos.

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