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O pioneirismo do transporte coletivo de Curitiba é histórico, mas ainda pode ser chave para o futuro. Idealizador dos projetos de vias exclusivas para ônibus, o arquiteto Jaime Lerner defendeu o BRT (Bus Rapid Transit) até o fim de sua vida.

PIONEIRISMO NO TRANSPORTE
Foto: SMCS

“A solução do BRT, do transporte em superfície, é a solução do futuro. Resolver bem o problema de superfície é fundamental. Mas como fazer isso? Temos que metronizar o ônibus, ou seja, dar ao ônibus a mesma performance do metrô. É necessário que os gestores de BRT, cada vez mais, tenham um empenho de operar cada vez melhor os sistemas. Por que? Um sistema de BRT mal implantado, coloca em risco toda a solução de superfície. É preciso que todo um conjunto de elementos para a boa operação, como caneletas exclusivas, embarques rápidos, embarques no mesmo nível, pagamento prévio e, principalmente, boa frequência. Isso é fundamental”, dizia em uma de suas últimas palestras.

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Jaime Lerner defendeu o BRT até o fim de sua vida (Foto: SMCS)

Curitiba começou a mudar o formato de mobilidade dos usuários do transporte coletivo em 1974, com o ônibus expresso em canaletas exclusivas, aquilo que seria o embrião do depois denominado BRT.

Mas não foi sempre assim. Houve um tempo em que ônibus rodoviários, usados nas estradas, eram utilizados no transporte da população, dentro da cidade.

História e mobilidade

A história da mobilidade curitibana começou no século XIX, em 1887, com o bonde puxado por mulas. Em 1895, o bonde elétrico entra em operação; 1928 os primeiros ônibus a combustão; em 1951 o bonde sai de circulação. Da década de 50 até a revolução do BRT, em 1974, Curitiba passou a ser referência em mobilidade urbana, sendo o sistema transformado em modelo mundial.

O expresso articulado – o famoso “minhocão”- começou a circular em 1980. Já em 1991, um ônibus de cor prata fez com que o usuário do transporte coletivo chegasse mais rápido ao seu destino, a linha direta ganhou o apelido de ‘ligeirinho’ e ficou mais fácil embarcar com a inovação da estação-tubo, permitido embarque e desembarque no mesmo nível.

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Foto: URBS

O expresso voltou a crescer com a chegada do biarticulado, em 1992, veículo que vale por três, mas com uma emissão de poluentes muito menor. A estação-tubo foi ampliada para receber a linha e, assim, formando o mapa da rede em vias estruturais, alinhando a expansão da cidade entre norte e sul, leste e oeste.

Com o passar do tempo, os terminais permitiram integração entre linhas, a troca de ônibus sem o pagamento de nova tarifa dos ônibus no sistema.

Várias cidades, como Bogotá, na Colômbia, e Cidade do México, também copiaram a ideia da cidade do “leite quente”. Em 1996, os ônibus ultrapassam os limites de Curitiba e começam a seguir também os usuários da região metropolitana.

Em 2002, o cartão-transporte entra na vida dos usuários para tornar tudo mais rápido e eficiente e, atualmente, quem usa o sistema já pode pagar a tarifa usando cartões de débito ou crédito.

Próxima parada

Na próxima reportagem da série sobre os ônibus de Curitiba, a inovação do transporte da cidade.