Os salários de motoristas de uma das empresas de ônibus do transporte coletivo de Curitiba estariam sendo pagos ‘a conta gotas’, segundo uma reclamação feita à Banda B esta semana.

Motoristas de empresa de ônibus de Curitiba reclamam de receber salários 'a conta gotas' e férias vencidas
Foto: Arquivo/Urbs.

Um colaborador da CCD Transporte Coletivo S.A., que não quis se identificar, afirmou para a reportagem, na manhã desta quarta-feira (27), que há pelo menos dois anos a empresa tem parcelado os salários todos os meses.

“Parcela uma, duas, três. Aí todo mês é assim: recebe um pouco hoje, mais daqui dois dias, um pouco na segunda. Desde quando começou a pandemia. Um joga a culpa no outro. A Urbs fala que já pagou e que a empresa que não tá pagando”,

relata o motorista.

Segundo o funcionário, é raro receber o valor integral do salário, ou seja, todo ele em um único dia. “Esse mês parcelou. Pagou um pouco na sexta e um pouco na segunda.”

Outro problema enfrentado pelos motoristas da CCD seria em relação à concessão de férias. “A minha vai vencer a terceira e tem gente lá que já vai vencer a quarta. Eles falam que não têm previsão de férias, que não têm dinheiro pra pagar. Só essa empresa, as outras estão normais. Só essa que tá ruim assim”, diz o trabalhador do transporte coletivo da capital.

Ele reclamou ainda ter não ter os valores referentes ao FGTS depositados. “A empresa desconta do salário da gente, mas não deposita”, afirma.

O que diz a empresa

As informações repassadas pelo motorista da CCD para a reportagem da Banda B foram confirmadas pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana em Curitiba (Sindimoc) esta manhã.

De acordo com o diretor da entidade, Rogério Campos, as cobranças ao empregador têm sido feitas. “A gente vai lá, realiza a assembleia e, dentro do prazo da assembleia, eles acabam efetuando o restante desses pagamentos. Mas, realmente, é algo recorrente. O que podemos fazer dentro da lei, estamos fazendo”, afirma Campos.

Sobre as férias vencidas, o diretor do Sindimoc revela que as abordagens à administração da empresa também são frequentes.

“A empresa alega não ter recursos e que a Urbs vem descontando da empresa multas, valores referentes à operação, um problema ou outro que a empresa acaba apresentando e assim não faz o repasse do valor 100%. É o que a empresa nos passa nas cobranças que fazemos sobre as férias dos trabalhadores e atrasos.”

A reportagem da Banda B também entrou em contato com o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp). Para a entidade, “a empresa informa que os salários estão em dia”, diz a nota de retorno da solicitação.

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